Defesa de pai e de madrasta de Isabella se reúne para finalizar habeas corpus
da Folha Online
Os advogados que representam Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá --pai e madrasta da menina Isabella passaram a sexta-feira reunidos para finalizar o pedido de habeas corpus que será apresentado à Justiça. A expectativa é de que o documento seja entregue ainda hoje --a defesa pode protocolar o pedido até as 19h.
Alexandre e Anna Carolina voltaram a ser presos na última quarta-feira (7), quando o juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri de Santana, decretou a prisão do casal. Ambos cumpriram prisão temporária durante as investigações da polícia e foram libertados graças a uma decisão do desembargador Caio Eduardo Canguçu de Almeida, o mesmo que deve julgar o novo pedido de liberdade.
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| Com prisão decretada, Anna Carolina e Alexandre são levados para carceragem |
Para a defesa, há falta de requisitos para justificar que o pai e a madrasta de Isabella fiquem presos durante o processo. O advogado Rogério Neres de Sousa, um dos três defensores do casal, afirma que o pedido de habeas corpus questionará o teor da denúncia (a acusação formal apresentada pelo Ministério Público) e a decisão do juiz Maurício Fossen, que decretou a prisão do casal.
De acordo com os advogados, o documento soma cerca de cem páginas.
Para decretar a preventiva, Fossen considerou que houve prova material do crime e indícios de autoria do casal. Ele justifica a decretação da prisão não somente para a conveniência do seguimento do processo como também para garantir a ordem pública "com o objetivo de tentar restabelecer o abalo gerado ao equilíbrio social por conta da gravidade e brutalidade com que o crime descrito na denúncia foi praticado".
Isolados
Para o promotor Francisco Cembranelli, Isabella foi asfixiada pela madrasta e jogada do apartamento pelo pai. Na denúncia, entregue terça-feira (6) à Justiça, Cembranelli também responsabiliza o casal por fraude processual --por ter alterado a cena do crime.
Alexandre e Anna Carolina foram hostilizados pelos presos. Ambos estão em celas individuais.
O pai da menina ocupa uma cela do 13º DP (Casa Verde, zona norte), onde há celas para homens com curso superior completo. Ele passou a quinta-feira isolado e, no mesmo dia, chegou a ser colocado com outros presos. Nesta sexta, no entanto, após ser hostilizado, foi novamente colocado em cela individual.
| Reprodução |
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| Ana Carolina Cunha de Oliveira e a filha, Isabella, 5, que foi jogada do sexto andar do edifício London, na zona norte de São Paulo |
Anna Carolina, após ser presa, foi levada para a carceragem feminina do 97 DP (Americanópolis, zona sul). Ela passou a madrugada de quinta-feira sozinha e, pela manhã, foi transferida para a penitenciária feminina de São Paulo (zona norte), onde também ficou distante das outras presas. Houve protestos e, à noite, a madrasta da menina foi levada para a penitenciária de Tremembé (147 km de São Paulo). Na unidade também está Suzane von Richthofen, condenada pela morte dos pais, em 2002.
Visita
Antonio Nardoni visitou o filho na carceragem do 13 DP nesta sexta-feira e disse estar confiante que a Justiça conceda um habeas corpus para o casal.
"Mantenho minha postura de confiança no Tribunal [de Justiça]. Se eles [desembargadores] realmente apreciarem o pedido tecnicamente, eu tenho absoluta certeza na revogação da prisão", afirmou Antonio.
Para o pai de Alexandre, a decisão do juiz Maurício Fossen, que decretou a prisão preventiva do casal, pode ter sido "levada para o lado emotivo" e, com isso, o aspecto técnico teria sido deixado de lado.
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