Madrasta de Isabella tem dia tranqüilo na cadeia de Tremembé (SP)
FÁBIO AMATO
da Agência Folha, em Tremembé
Depois da ameaça de rebelião de detentas da penitenciária feminina de Sant'Ana, em São Paulo, contrárias à permanência no local da estudante Anna Carolina Jatobá, 24, o dia foi tranqüilo hoje (9) na penitenciária Santa Maria Eufrásia Pelletier, em Tremembé (138 km de SP), para onde a madrasta de Isabella foi levada no final da noite de ontem.
É ali que cumpre pena, desde fevereiro do ano passado, Suzane von Richthofen, condenada a 39 anos de prisão pelo assassinato dos pais.
O presídio fica em uma rua estreita e de pouco movimento do centro de Tremembé. Cercado por casas de classe média, tem capacidade para 140 presas e abrigava 176 na véspera da chegada de Jatobá.
A estudante ocupa uma das 21 celas individuais do terceiro pavilhão do presídio, conhecido como "casa nova", onde ficam detentas recém-chegadas. Ali ela vai passar por um processo de adaptação que pode levar de 10 a 15 dias, tempo em que ficará isolada das outras presas.
Durante esse período, previsto na Lei de Execuções Penais, uma equipe vai traçar o perfil psicológico de Jatobá para apontar, entre outros pontos, se ela é perigosa ou não. A partir disso, a direção do presídio vai decidir que tipo de companhia a estudante terá quando for transferida para uma cela comum com outras presas. O presídio tem 23 celas comuns em outros dois pavilhões.
Segundo uma funcionária da unidade, a cela ocupada por Jatobá tem cerca de 12 m 2. É fechada por uma porta maciça com apenas um buraco no meio, por onde ela recebe a comida. O local possui banheiro, chuveiro com água quente e cama de alvenaria. Ela não tem permissão para assistir à TV ou ouvir rádio, apenas para ler. Também não tem direito a banho de sol durante o período de adaptação.
Na unidade são servidas quatro refeições ao dia (café da manhã, almoço, lanche e jantar). Dois funcionários ouvidos pela reportagem disseram que Jatobá se alimentou bem ontem. Também relataram que ela permaneceu o dia todo em silêncio. Segundo eles, houve comentários entre as detentas sobre a presença da estudante.
No início da noite, moradores da região que disseram ter passado pelos fundos do presídio afirmaram ter ouvido gritos de "fora" dentro da unidade.
Uma pessoa ligada ao sistema prisional, e que conhece o presídio feminino de Tremembé, disse acreditar que as chances de Jatobá ser rejeitada pelas presas no local sejam menores, pois a unidade abriga mulheres condenadas por crimes contra os próprios filhos e que, por isso, tendem a ser solidárias com ela.
A direção do presídio não se pronunciou. A Secretaria da Administração Penitenciária do Estado confirmou, em nota, que Jatobá está em cela isolada, mas informou que não dará informações sobre o dia-a-dia da estudante na unidade.
Ao longo da tarde de hoje, o movimento em frente ao presídio de Tremembé foi pequeno. Apenas alguns curiosos acompanhavam, de longe, o trabalho dos jornalistas. Não houve nenhum tipo de manifestação.
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