Fuligem e tempo incriminaram casal Nardoni, diz delegado
da Folha Online
A fuligem no muro e o tempo que se leva para fazer o percurso entre a garagem do edifício London e o apartamento do casal Nardoni são as principais evidências que a polícia teve para acreditar que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá mataram Isabella, segundo o delegado Aldo Galiano Junior. A menina morreu no dia 29 de março ao ser arremessada do apartamento do casal, no sexto andar do prédio, na zona norte de São Paulo.
Galiano é diretor do Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital), chefe dos delegados que realizaram as investigações. "A única maneira de haver uma terceira pessoa no prédio seria escalando. Nos muros há fuligem e uma escalada neles certamente deixaria marcas, o que não foi constatado", afirma o delegado.
A tese da invasão do apartamento é o principal argumento que os advogados de Alexandre e Anna Carolina --pai e madrasta de Isabella-- usam para defender o casal. Desde o primeiro dia, os dois acusados e seus advogados dizem à polícia e à imprensa que a segurança do prédio é falha e que outra pessoa estava no apartamento.
O curto espaço de tempo entre a chegada do casal e a queda da menina, segundo o delegado, também desmonta a tese de uma terceira pessoa no apartamento. "Só haveria 7 minutos para a que o assassino fizesse tudo [invadisse o apartamento, esganasse a menina e a jogasse pela janela]", afirma Galiano.
Prisão
O delegado revelou que a Polícia Civil de São Paulo cogitou prender em flagrante o casal já no domingo, mas a hipótese foi descartada porque não havia provas suficientes. Alexandre e Anna Carolina foram para a cadeia temporariamente apenas no dia 3 de abril e saíram uma semana depois após uma habeas corpus. No dia 7 de maio, após o término do inquérito policial e do oferecimento da denúncia, a prisão preventiva do casal foi decretada e eles presos novamente.
Nesta terça-feira Alexandre Nardoni foi transferido do 13º DP (Casa Verde) para o CDP 2 (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos (Grande São Paulo). Na delegacia --onde ficam os presos com curso superior que não têm vaga em um presídio--, o pai de Isabella não foi aceito pelos presos.
"Eles temiam ser maltratados quando fossem para outros presídios caso não maltratassem o Alexandre", disse Galiano. "Se ele não se adaptar lá [em Guarulhos], será transferido novamente até encontrar um lugar que ele possa ficar", completa o delegado.
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