Cotidiano
16/05/2008 - 09h41

Casal de camelôs da BA recupera guarda de filho na Justiça

MANUELA MARTINEZ
Colaboração para a Agência Folha, em Salvador

O casal de camelôs que brigava na Justiça, em Salvador, para tentar recuperar a guarda do próprio filho, uma criança de um ano e oito meses de idade, recebeu ontem o garoto de volta. Ele estava havia sete meses com uma professora, amiga dos pais, que obteve a guarda provisória do menino alegando tê-lo encontrado em uma caixa de papelão, abandonado e doente.

A sentença do juiz Salomão Resedá, da 1ª Vara da Infância e Juventude da capital baiana, publicada ontem, devolveu a guarda do garoto aos pais Rita de Cássia Salvador, 37, e Alex Negreiros dos Santos, 26.

A criança estava com a professora Marystela Simões, que cuidava do menino enquanto o casal trabalhava. Ontem, após ser notificado da decisão, o advogado da professora, Antonio Matos, disse que irá recorrer.

Durante o período de readaptação do garoto, os pais biológicos serão acompanhados por um psicólogo. O bebê vai ficar com o casal --que tem mais três filhos-- ao menos até 2 de junho, data da audiência de instrução do caso. O juiz deve confirmar sua decisão na ocasião.

"A Justiça foi feita", afirmou Santos. "Soltei até fogos de artifício quando soube que meu filho iria voltar a morar comigo", disse. Para o ambulante, houve "traição" da professora. "Como não podia levar a criança para o trabalho, deixava meu filho na casa dela todas as tardes. Mas ele sempre esteve comigo, até o dia em que fui informado que havia perdido a guarda."

De acordo com Santos, o casal e a professora se conhecem há cinco anos, e ela se prontificou a cuidar do menino durante o dia, enquanto a dupla trabalhava. O bebê, disse o pai, começou a freqüentar o apartamento de Marystela com apenas 18 dias de vida.

Melhor presente

A mãe biológica, Rita de Cássia, está grávida de mais uma criança. Ela disse que a volta do filho foi o "melhor presente" que ganhou neste ano. "Fiquei muito triste no Dia das Mães, mas agora vou sorrir à toa."

Para a defensora pública Iracema Ribeiro, que representa o casal, a volta da guarda da criança para os pais biológicos foi uma decisão acertada.

"Durante todas as audiências, os pais demonstraram que têm condições de criar o menino. Além disso, em momento nenhum eles assinaram qualquer documento concordando com a adoção", afirmou a defensora pública.

A reportagem procurou Marystela Simões na tarde de ontem, mas seu advogado informou que ela não iria comentar a decisão.

 

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