Presidente do sindicato dos motoristas afirma que greve pode ser revista
da Folha Online
O presidente do sindicato dos motoristas de São Paulo afirmou na tarde desta sexta-feira que a paralisação dos ônibus pode não ocorrer na próxima segunda-feira (19). A decisão pela greve foi feita na terça (13) durante uma assembléia ocorrida no centro da cidade, após uma audiência de conciliação dos dirigentes sindicais com o SPUrbanuss --sindicato que representa as empresas de ônibus-- no TRT (Tribunal Regional do Trabalho).
Uma nova assembléia foi marcada para a tarde desta sexta-feira na sede do sindicato. Se efetivada, seria a terceira paralisação deste ano.
"Tudo vai depender do que a categoria determinar. Não fechamos um acordo antes pois precisamos consultar os trabalhadores", disse o presidente do Sindmotoritas (sindicato dos motoristas), Hisao Hosogi, mais conhecido como Jorginho.
Na tarde da última quinta-feira (15), representantes do Sindmotoristas (sindicatos dos motoristas) e do SPUrbanuss (sindicato que representa as empresas de ônibus) estiveram reunidos em uma audiência de conciliação no TRT da 2ª Região. O encontro discutiu as propostas oferecidas pelas duas partes e tentou selar um acordo para evitar a greve, o que acabou não ocorrendo.
Entre outros itens, os motoristas queriam 10,5% de aumento e a proposta ofertada foi de 7,5%, sendo 6% de reajuste imediato e a diferença de 1,5% paga no mês de julho.
De acordo com o TRT, a proposta havia sido aceita pelos sindicatos na reunião, entretanto, ela foi reconsiderada posteriormente pelo presidente do Sindmotoritas, que a rejeitou e saiu da audiência. O TRT avalia que a atitude do sindicalista prejudicou o acordo. Ante a isso, foi marcado julgamento do dissídio da categoria. O relator sorteado foi o desembargador Marcelo Freire Gonçalves.
Desgaste
A reportagem da Folha Online apurou que a possibilidade de voltar atrás em uma nova paralisação está ligada a três fatores: o primeiro é o desgaste da imagem da categoria junto à população, uma vez que foram realizadas outras duas paralisações só neste ano; a segunda está ligada ao fato de que um ato dessa proporção poderia prejudicar as intenções da atual diretoria nas eleições internas do sindicato, e o terceiro; as considerações dos desembargadores do TRT, que nesta tarde julgam o dissídio da categoria.
A eleição do sindicato estava marcada para ocorrer nos dias 15 e 16 deste mês. Ocorre que uma decisão da juíza Adriana Prado Lima, da 54ª Vara do Trabalho de São Paulo, suspendeu por 30 dias as eleições do sindicato. A paralisação com o viés de luta pela melhoria das condições dos trabalhadores seria uma demonstração de força que pode ser utilizada pelos atuais dirigentes numa tentativa de reeleição.
Numa reunião realizada nesta manhã, as lideranças do sindicato ponderam principalmente o que pode ser decidido pela seção especializada de dissídios coletivos do TRT-SP. Os desembargadores podem levar em consideração as duas paralisações já feitas pela categoria neste ano, embora elas possam ser alvo julgamentos futuros, em separado.
Dependendo da consideração dos desembargadores --que podem levar em conta até a postura do presidente do sindicato de sair da reunião ontem tendo falado inicialmente que aceitaria o acordo--, a multa poderá ficar pesada para os cofres do sindicato e complicar a situação da atual diretoria nas eleições internas.
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