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Cotidiano
16/05/2008 - 16h52

Motoristas de ônibus aceitam acordo e suspendem greve em SP

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da Folha Online

Os motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo decidiram aceitar a proposta que havia sido feita pelos patrões e suspender a greve que estava prevista para segunda-feira (19). A decisão foi tomada nesta sexta-feira em uma assembléia no sindicato da categoria.

Pela proposta, o sindicato patronal se compromete a dar aumento salarial de 7,5%, R$ 400 de PLR (Participação nos Lucros e Resultados) para motoristas e cobradores e vale-refeição de R$ 10. "Diante da conjuntura, nós entendemos que a proposta é boa e que a população não pode ser mais sacrificada", disse o presidente da entidade, Hisao Hosogi.

O sindicato já havia inicialmente rejeitado o acordo e, mas voltou atrás. Se realizasse a paralisação, estaria sujeito a uma multa diária de R$ 200.000. Anteontem a vice-presidente judicial do TRT (Tribunal Regional do Trabalho), desembargadora Wilma Nogueira de Araújo Vaz da Silva, afirmou que não havia justificativa para uma nova paralisação.

Desgaste

A reportagem da Folha Online apurou que o recuo está ligado a três fatores: o primeiro é o desgaste da imagem da categoria junto à população, uma vez que foram realizadas outras duas paralisações só neste ano; a segunda está ligada ao fato de que um ato dessa proporção poderia prejudicar as intenções da atual diretoria nas eleições internas do sindicato, e o terceiro; as considerações dos desembargadores do TRT, que nesta tarde julgam o dissídio da categoria.

A eleição do sindicato estava marcada para ocorrer nos dias 15 e 16 deste mês. Ocorre que uma decisão da juíza Adriana Prado Lima, da 54ª Vara do Trabalho de São Paulo, suspendeu por 30 dias as eleições do sindicato. A paralisação com o viés de luta pela melhoria das condições dos trabalhadores seria uma demonstração de força que pode ser utilizada pelos atuais dirigentes numa tentativa de reeleição.

Numa reunião realizada nesta manhã, as lideranças do sindicato ponderam principalmente o que pode ser decidido pela seção especializada de dissídios coletivos do TRT-SP. Os desembargadores podem levar em consideração as duas paralisações já feitas pela categoria neste ano, embora elas possam ser alvo julgamentos futuros, em separado.

Dependendo da consideração dos desembargadores --que podem levar em conta até a postura do presidente do sindicato de sair da reunião ontem tendo falado inicialmente que aceitaria o acordo--, a multa poderá ficar pesada para os cofres do sindicato e complicar a situação da atual diretoria nas eleições internas.

Protesto

Na última quarta-feira (7), uma manifestação paralisou cerca de 8.000 ônibus, dos cerca de 15.000 em circulação na cidade por cerca de três horas --entre as 11h e 14h. Uma liminar do TRT, expedida na no dia seguinte ao protesto, impede que os motoristas e cobradores de ônibus cruzem os braços novamente.

 

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