Rapaz suspeito de atropelar 23 em festa em SP não tem habilitação
do Agora
da Folha Online
O mecânico Thiago Ventura Campos, 18, apontado como responsável por atropelar 23 jovens no estacionamento de uma festa universitária, na zona sul de São Paulo, no sábado (17), não tem carteira de motorista.
O rapaz contou à polícia que ele e seu cunhado --o metalúrgico Roneivon Liberato, 20-- eram ameaçados por um grupo e que acelerou o carro para fugir. O mecânico disse que vários rapazes passaram a agredi-lo depois de assediarem a namorada e a irmã dele. "Me acertaram no olho e começaram a me espancar. Apaguei e pisei no acelerador para fugir."
O evento ocorria no Centro de Exposições Imigrantes e reuniu aproximadamente 30 mil estudantes. O fato de Ventura dirigir o Gol prata, registrado em seu nome, sem ter CNH (Carteira Nacional de Habilitação), consta como agravante contra ele. De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública, ele não teve fiança afixada --procedimento padrão em atropelamentos-- por conta do grande número de vítimas.
Campos foi preso em flagrante e indiciado pela Polícia Civil por lesão corporal culposa (sem intenção). Passou a noite preso no 26º DP (Sacomã) e foi solto na tarde de domingo, após a Justiça conceder liberdade provisória.
Para o delegado Antonio da Costa Pereira Neto, do 97º DP (Americanópolis), a versão de que ele seria agredido caso não acelerasse o veículo, é "aceitável". "Tendo em vista o estado em que o cunhado dele ficou, ele teria agido em estado de necessidade mesmo."
De acordo com o delegado, se ficar comprovado que não havia segurança no Carnafacul, os organizadores podem ser indiciados por crime de lesão corporal e Ventura, de indiciado, pode passar a figurar como vítima. "Nós vamos apurar a responsabilidade dos organizadores em relação à segurança. O que parece é que faltou alguém que interviesse logo que o tumulto começou", disse o delegado.
Feridos
O rapaz que está na UTI do Hospital das Clínicas, Fernando da Cunha, 20, sofreu fratura na bacia e rompimento da uretra. Operado, não corre risco de morte. Seu irmão gêmeo, Felipe da Cunha, diz que o mecânico tinha intenção de ferir as pessoas. "Essa história de que ele tentava fugir é mentira. O local tinha vários carros, mas ele tinha espaço para sair."
De acordo com a PM (Polícia Militar), não havia provas de que o rapaz estivesse sob efeito de álcool ou drogas.
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