Cotidiano
19/05/2008 - 14h35

Legista que questionou laudos da morte de PC Farias diz que analisa caso Isabella

da Folha Online

O legista que questionou os laudos a respeito da morte de PC Farias afirmou nesta segunda-feira que há uma semana analisa os laudos da morte da garota Isabella, 5, morta no dia 29 de março.

Ele não quis revelar, no entanto, quem o teria procurado e se foi contratado para realizar o trabalho. "Eu posso ter acesso a isso de diversas formas, não é? Os advogados de defesa, no Ministério Público, em vários locais", afirmou George Samuel Sanguinetti Fellows.

A defesa de Alexandre Nardoni e de Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella e acusados pelo crime, não foram localizados nesta segunda-feira para comentar o assunto.

O casal cumpre prisão preventiva desde o último dia 7. Na tentativa de libertar Alexandre e Anna Carolina, os advogados de defesa já sofreram duas derrotas na Justiça. A primeira foi a negativa do TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo, e a segunda foi a decisão no STJ (Superior Tribunal de Justiça). Agora eles estudam se ingressam com um pedido de liberdade no STF (Supremo Tribunal Federal).

No dia 30 de abril., os advogados afirmaram que um perito deveria ser contratado para realizar uma análise nos laudos elaborados pelo IC (Instituto de Criminalística) e pelo IML (Instituto Médico Legal) --e que serviram de base para incriminar o casal.

Polêmico

George Samuel Sanguinetti Fellows é coronel-médico da reserva da Polícia Militar de Alagoas e ex-professor de Medicina Legal da Ufal (Universidade Federal de Alagoas). Hoje, segundo ele, concilia as funções de vereador em Maceió (AL) pelo PV com a de consultor na área de perícia. Ele disse que só irá confirmar na terça-feira se irá ou não elaborar análises a partir dos laudos do IC e do IML (Instituto Médico Legal) de São Paulo.

George Sanguinetti, como gosta de ser denominado, ficou famoso ao questionar os laudos elaborados pelo perito Badan Palhares a respeito da morte de PC Farias e sua namorada Suzana Marcolino.

O assassinato do ex-tesoureiro de Fernando Collor de Mello aconteceu na madrugada do dia 23 de junho de 1996, na casa de praia dele, no bairro de Guaxuma, em Maceió. O primeiro laudo das mortes, elaborado pela equipe de Palhares, sustentava a tese de que Suzana matou PC e se suicidou em seguida. Sanguinetti discordou.

Em 1998, o nome do legista voltou a ficar em evidência. Neste ano o empresário Pablo Russel Rocha foi preso sob a acusação de ter arrastado até a morte a garota de programa Selma Heloíse Artigas da Silva, conhecida como Nicole. Ela ficou presa ao cinto de segurança da camionete Pajero do empresário.

Sanguinetti afirmou à época que os laudos produzidos a respeito não eram conclusivos. Para comprovar sua tese, o legista refez o trajeto.

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