Avô paterno de Isabella contrata consultoria para avaliar laudos
da Folha Online
O advogado Antonio Nardoni, avô paterno da garota Isabella, 5, confirmou nesta terça-feira que foi dele a proposta de procurar o legista George Samuel Sanguinetti Fellows para avaliar os laudos elaborados pelo Instituto de Criminalística e pelo Instituto Médico Legal. Os laudos serviram de base para incriminar o filho de Antonio, Alexandre Nardoni, e a nora dele, Anna Carolina Trotta Jatobá.
Entre outros casos de repercussão nacional, o legista questionou os laudos elaborados pelo perito Badan Palhares a respeito da morte de PC Farias e de sua namorada, Suzana Marcolino. PC Farias foi tesoureiro de Fernando Collor de Mello, ex-presidente e atual senador.
O pai e a madrasta de Isabella, apontados como autores do crime, cumprem prisão preventiva desde o último dia 7. Na tentativa de libertar Alexandre e Anna Carolina, os advogados de defesa já sofreram duas derrotas na Justiça. A primeira foi a negativa do TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo, e a segunda foi a decisão no STJ (Superior Tribunal de Justiça). Agora eles estudam se ingressam com um pedido de liberdade no STF (Supremo Tribunal Federal).
Lacônico, Sanguinetti disse irá realizar o trabalho. "Estou no caso", se limitou a dizer. Ele, que reside em Maceió (AL), afirmou que na próxima sexta-feira (23) ou sábado (24) irá a São Paulo com o intuito de aprofundar seus estudos. Ele afirmou na segunda-feira que teve acesso a parte dos laudos há mais de uma semana e desde então os analisa. Sanguinetti disse que contará com o apoio de outros dois peritos de São Paulo.
Reviravolta
Antonio afirmou que não conhece pessoalmente Sanguinetti e que o contato com o legista ocorreu por meio de uma amiga em comum. "Eu o conhecia no caso do PC Farias. Ele [Sanguinetti] tem uma personalidade boa, é competente e possui bastante coragem para o trabalho", disse o advogado.
Apesar de não integrar a equipe de defesa do filho, Antonio, que atua na área tributária, se reúne periodicamente com o criminalista Marco Polo Levorin e seus dois assistentes, Ricardo Martins e Rogério Neres de Sousa, que compõem o trio de defesa do casal. Eles foram procurados hoje mas nenhum foi localizado para comentar o assunto.
Questionado se o resultado da análise do legista e sua equipe poderá apontar uma reviravolta no caso, Antonio afirmou que é justamente isso o que aguarda. "Uma reviravolta é o que esperamos. Desde o início estamos convictos da inocência dos dois", afirmou.
Antonio não deixou claro se o resultado do trabalho do legista irá embasar novos pedidos de liberdade do casal na Justiça. Ele disse que desde o início questiona o resultado dos trabalhos dos peritos e que as declarações dadas pelas autoridades envolvidas divergem daquelas constantes nos laudos.
"Quanto mais eu leio eu percebo que aquilo que dizem por aí não corresponde com a realidade do que eles próprios indicaram na denúncia", afirmou.
Antonio mencionou a reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal "Agora". No texto, o repórter Flávio Ferreira informa que o inquérito não tem provas contra a madrasta de Isabella. "A matéria de hoje do "Agora" é apenas um dos aspectos que confirma o que sempre dissemos. Cada vez mais a verdade irá aparecer e todos saberão aquilo que defendemos desde o começo: estão condenando dois inocentes", afirmou o avô de Isabella.
Polêmico
George Sanguinetti, como gosta de ser denominado, é coronel-médico da reserva da Polícia Militar de Alagoas e ex-professor de Medicina Legal da Ufal (Universidade Federal de Alagoas). Hoje, segundo ele, concilia as funções de vereador em Maceió (AL) pelo PV com a de consultor na área de perícia.
Ele ficou famoso ao questionar os laudos elaborados pelo perito Badan Palhares a respeito da morte de PC Farias e sua namorada Suzana Marcolino.
O assassinato do ex-tesoureiro de Fernando Collor de Mello aconteceu na madrugada do dia 23 de junho de 1996, na casa de praia dele, no bairro de Guaxuma, em Maceió. O primeiro laudo das mortes, elaborado pela equipe de Palhares, sustentava a tese de que Suzana matou PC e se suicidou em seguida. Sanguinetti discordou.
Em 1998, o nome do legista voltou a ficar em evidência. Neste ano o empresário Pablo Russel Rocha foi preso sob a acusação de ter arrastado até a morte a garota de programa Selma Heloíse Artigas da Silva, conhecida como Nicole. Ela ficou presa ao cinto de segurança da camionete Pajero do empresário.
Sanguinetti afirmou à época que os laudos produzidos a respeito não eram conclusivos. Para comprovar sua tese, o legista refez o trajeto.
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