Médicos suspendem novas cirurgias pelo SUS em Alagoas
SÍLVIA FREIRE
da Agência Folha
Médicos da rede pública de Alagoas suspenderam nesta terça-feira no Estado o agendamento de cirurgias eletivas (não-emergenciais) pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
A decisão, tomada em assembléia ontem (19) à noite, foi para pressionar por reajuste da tabela de remuneração do SUS.
O presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas, Welington Galvão, disse que a categoria reivindica a mesma remuneração paga pelos planos de saúde suplementar.
"A classe médica cansou de trabalhar com a remuneração da tabela do SUS e reivindica o pagamento pela tabela dos planos de saúde", disse.
Segundo ele, o SUS paga, por exemplo, R$ 60 por uma cirurgia de hérnia, valor dividido entre o cirurgião, o anestesista e o auxiliar. Pela mesma cirurgia, segundo Galvão, a rede de saúde suplementar paga entre R$ 300 e R$ 400.
O secretário da Saúde de Alagoas, André Valente, disse que o problema só será resolvido pelo governo federal e que o Estado já repassa recursos às instituições conveniadas ao SUS.
"A alternativa viável para resolver o problema vem do governo federal. Os Estados vão exaurir sua capacidade de financiamento e não vão resolver", disse Valente.
Para o presidente do CRM (Conselho Regional de Medicina) de Alagoas, Emmanuel Fortes, os médicos têm direito a mobilização para reivindicação de "remuneração digna". Segundo Fortes, a suspensão das cirurgias pelo SUS afeta a maior parte da população, pois 92% dos alagoanos dependem do atendimento do SUS.
A suspensão do agendamento, no entanto, não deverá ser sentida de imediato pela população. A fila de espera por cirurgia eletiva chega a oito meses, dependendo da especialidade médica. As cirurgias cardíacas, por exemplo, estavam sendo agendadas para novembro.
Segundo o sindicato, muitos médicos deixaram de atender pelo SUS por causa da baixa remuneração, o que aumentou a fila de espera por cirurgias. Segundo Galvão, atualmente, cerca de 300 médicos atendem pelo SUS no Estado. "Já foram mais de mil médicos."
Em 2007, médicos da rede estadual de saúde ficaram quase três meses em greve para reivindicar aumento nos salários. Os profissionais ligados à saúde, como enfermeiros e auxiliares de enfermagem, fizeram uma greve de nove meses, encerrada no final de abril.
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