Três tremores de terra atingem o Ceará
da Agência Folha
da Folha Online
Três tremores de terra, com intensidade entre 3,3 e 4,2 graus na escala Richter, assustaram na terça-feira moradores do Ceará. O epicentro foi a localidade de Jordão, em Sobral, mas os abalos foram sentidos até em Fortaleza, a 240 km de distância.
Segundo a Defesa Civil do Estado, os abalos não causaram grandes danos. Houve relatos de destelhamentos de casas mais frágeis, de barro, e de muros que desabaram. Os estragos não haviam sido quantificados até o início da noite de ontem.
A região de Sobral tem tido atividade sísmica intensa desde o começo do ano. De janeiro até a manhã desta quarta-feira, houve registro de 835 tremores no local, segundo o Laboratório Sismológico da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), que monitora a área.
A maior parte dos abalos são microtremores, nem sequer sentidos pela população. Ao menos um dos tremores de hoje, contudo, foi o mais forte já registrado na área: atingiu 4,2 graus na escala Richter às 16h25, segundo o Obsis (Observatório Sismológico) da UnB (Universidade de Brasília).
O segundo tremor ocorreu três minutos depois e atingiu 3,9 graus na escala, segundo o Obsis. Ontem (20), o terremoto aconteceu às 17h45 e atingiu 3,3 graus na escala Richter.
Antes dos abalos de ontem, o maior tinha sido um de 3,9 graus, no final de fevereiro.
A população que vive perto do epicentro do tremor, no alto de uma serra, ficou assustada e deixou suas casas sob chuva hoje. Sismos de menor intensidade ainda eram sentidos nesta noite. Após os abalos mais fortes, a Prefeitura de Sobral começou a distribuir lonas para abrigos provisórios.
Reflexos em Fortaleza
Em Fortaleza, o reflexo dos tremores foi menor, mas os abalos foram percebidos em diversos bairros da cidade.
"A onda sísmica perde energia ao longo do caminho", disse o geólogo Cristiano Chimpliganond, da UnB. Para Eduardo de Menezes, da UFRN, os tremores foram sentidos em Fortaleza porque quanto maior a magnitude do tremor, maior é a área abrangida.
Para Chimpliganond, há uma hipótese preliminar de que a atividade registrada no Ceará seja um tipo de "enxame sísmico", em que vários tremores, de magnitude semelhante, se sucedem no mesmo epicentro durante certo tempo.
Técnicos da UFRN devem ir nesta quinta-feira (22) a Sobral para avaliar os tremores. Foi a segunda vez que Fortaleza sentiu um abalo sísmico. A primeira ocorreu em 1980, quando houve um tremor de 5,2 graus, com epicentro em Pacajus (52 km da capital cearense).
Segundo o professor Jorge Sand, do Obsis, o Ceará é um "grande laboratório de sismologia do Brasil". O Estado abriga várias fendas, que facilita a ocorrência de tremores na região.
"O Ceará é o Estado com maior risco de terremotos. Não dá para dizer que as falhas causam o terremoto, mas, por exemplo, quando se tem uma fratura e você faz um esforço, a fratura é afetada. Essa região é o que chamamos de região sísmica intraplaca", explicou o professor.
Leia mais
- Terremoto de 5,2 graus da escala Richter atinge ao menos quatro Estados
- Terremoto de 3,9 graus atinge norte do Ceará
- Técnicos monitoram áreas atingidas por tremores de terra em Sobral (CE)
- Novos tremores de terra assustam moradores na região de Sobral (CE)
- Conheça as principais atrações do Nordeste
Especial

