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Cotidiano
26/05/2008 - 17h59

Isabella pode ter sido jogada de janela de cabeça para baixo, diz perita

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PAULO TOLEDO PIZA
Colaboração para a Folha Online

Isabella Nardoni, 5, pode ter sido arremessada de cabeça para baixo da janela do apartamento onde o pai Alexandre Alves Nardoni, 29, morava com sua mulher, Anna Carolina Jatobá, 24, diferentemente do que apontou o laudo realizado pelo IC (Instituto de Criminalística). A observação é da técnica criminalística e perita Delma Gama e Narici, que atualmente é advogada em Salvador (BA).

Ela afirma que o laudo da morte da menina tem erros gramaticais e até juízos de valores. "O laudo foi inconcluso. É uma agressão à criminalística", criticou.

Narici foi chamada pela defesa do casal para rebater a acusação de que marcas de tela de proteção encontradas na camisa de Alexandre provam sua culpa. O legista George Sanguinetti, que questionou os laudos da morte de PC Farias, também foi acionado pela defesa dos Nardoni.

Para a perita, que analisou o laudo do IC de São Paulo, a menina foi jogada da janela de cabeça para baixo devido às marcas circulares encontradas na parede do prédio, que poderiam ser feitas somente pelas pernas da garota em posição vertical, ou seja, presas pelas mãos de alguém, segundo Narici.

Outro ponto apontado pela perita é a ausência de sangue na camiseta de Alexandre, que foi apontado pela investigação como quem teria arremessado a menina.

"Se ele [Alexandre] tivesse jogado a menina, do jeito que indicaram, ele teria de passar as pernas pelo buraco e a cabeça dela penderia em seu peito e com isso, o corte teria manchado sua camiseta. Só há sangue, comprovadamente, na roupa de Isabella, no parapeito da janela e no lençol", afirmou a perita.

Narici disse acreditar na hipótese de um crime causado pela ira e cometido às pressas e o casal não apresentou tal atitude. "Alexandre aparenta ser lento em iniciativa, não seria capaz de pensar em jogar a menina pela janela", afirmou Narici.

Ela acrescentou que a desordem no apartamento do casal pode levar a conclusões diferentes das dos peritos. "Parecia [a desordem] de alguém que buscava algo no apartamento." Narici também colocou em dúvida o objetivo do buraco na tela de proteção da janela por onde Isabella foi lançada. "O corte na tela era muito pequeno", disse. Para ela, alguém abriu aquele buraco para jogar algo que não fosse a garota.

"Tenho uma idéia da motivação e o modus operandi [do assassino], mas essa idéia é minha. Eu não tenho o direito de reparti-la com ninguém enquanto ela não estiver completa", acrescentou, misteriosa.

 

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