Cotidiano
27/05/2008 - 04h33

Mulher dirige por quase 6 km na contramão pelo corredor norte-sul em SP

RACHEL AÑÓN
da Agência Folha

Uma bancária de 27 anos dirigiu por quase seis quilômetros na contramão por grande parte do corredor norte-sul, um dos mais movimentados da cidade de São Paulo no começo da madrugada desta terça-feira.

A motorista do Volkswagen Polo entrou no sentido oposto da avenida 23 de Maio próximo ao prédio do Detran, no Ibirapuera (zona sul), e andou pelas avenidas Pedro Alvares Cabral, Rubem Berta e Moreira Guimarães. Ela só parou pouco antes de um bloqueio montado antes do acesso à avenida dos Bandeirantes.

Um carro da polícia acompanhou a mulher durante todo o percurso.

Segundo um dos policiais, ela desviou de quatro carros em movimento, além dos estacionados pela avenida. Um caminhão-tanque foi obrigado a desviar do carro bruscamente e quase capotou com a carga. Ele ficou atravessado na pista.

Apesar da sirene ligada e os insistentes pedidos para parar, a bancária continuou o trajeto com o pisca-alerta ligado e a mão para fora do carro, balançando como se estivesse pedindo para parar. Ao menos 20 carros da Polícia Militar auxiliaram no bloqueio.

De acordo com outro policial que participou do bloqueio, ela demonstrava estar transtornada, mas não havia sinal de embriaguez.

A bancária foi internada no setor de psiquiatria do hospital São Paulo. O pai foi até o 27º DP (Campo Belo), mas não quis dar entrevista.

Na contramão

O caso é o sexto só neste ano. Na última quarta-feira (21), uma aposentada de 58 anos dirigiu por cerca de oito quilômetros na contramão na rodovia dos Imigrantes, em pleno horário de pico da descida para o litoral de São Paulo durante o feriado. Em depoimento à polícia, a professora alegou que não tinha dinheiro para pagar o pedágio, no valor de R$ 15,40.

Em Franca, três pessoas morreram e oito ficaram feridas num acidente causado por um carro que trafegava na contramão em plena rodovia Candido Portinari, em abril.

Em fevereiro, o bancário Cleber Rodrigues dirigiu quatro quilômetros na contramão da Castelo Branco antes de se chocar com um caminhão e perder a vida. Um mês depois, um ônibus entrou na contramão na Bandeirantes, chocou-se com um Corsa e matou os dois ocupantes.

O estudante e administrador Gustavo Henrique de Oliveira Bittencourt, 22, foi acusado de dirigir na contramão e matar o empresário Fernando Félix Paganelli de Castro em fevereiro, em Belo Horizonte (MG).

Na ponte estaiada Octavio Frias de Oliveira, na zona sul, um motorista desceu de ré pela contramão quando o carro onde ele estava quebrou sobre a via, neste mês.

 

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