Nardoni e Jatobá estão impedidos de conversar; avô chega ao fórum
da Folha Online
O casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina Isabella, morta no último dia 29 de março, aguarda na manhã desta quarta-feira para prestar depoimento ao juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri, no fórum de Santana, zona norte de São Paulo. Os dois estão presos desde o último dia 7.
Nardoni e Jatobá estão instalados em duas das quatro celas existentes no fórum. Os dois estão separados por grades e telas de metal e, embora possam se ver, são impedidos de conversar, de acordo com a assessoria de imprensa do TJ (Tribunal de Justiça). Policiais militares vigiam os dois, para garantir que eles não dialoguem.
| Danilo Verpa/Folha Imagem |
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| O pai de Isabella, Alexandre Nardoni, chega sob escolta da PM para prestar depoimento no fórum de Santana (zona norte de São Paulo) |
Conforme o TJ, Jatobá aceitou o almoço oferecido na cela, mas Nardoni recusou. Os dois estão em celas equipadas com banheiros.
Por volta das 12h, o avô de Isabella e pai de Nardoni, Antônio Nardoni, chegou ao fórum --o acesso ao local é controlado, por medidas de segurança, mas ele conseguiu entrar pois tem carteira de advogado da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Em seguida chegaram os advogados do casal, sob gritos de "justiça" proferidos por cerca de 50 manifestantes.
Nardoni e Jatobá foram levados das penitenciárias em que estavam, em Tremembé (138 km de São Paulo), para São Paulo entre a noite de ontem (27) e esta madrugada. Ela esperou a transferência para o fórum na prisão feminina do Carandiru (zona norte de São Paulo) e ele, no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos (Grande São Paulo). Jatobá chegou ao fórum por volta das 10h e Nardoni, por volta das 11h.
Processo
O interrogatório dos réus marca o início da fase de instrução do processo que investiga a morte de Isabella. Depois de ouvir os dois, o juiz irá ouvir os depoimentos das testemunhas listadas pelo promotor Francisco Cembranelli e pela defesa. Os dois lados se manifestam e, então, Fossen decide se o casal vai a júri popular.
Nardoni e Jatobá são acusados de homicídio qualificado --por asfixia, por crime motivado por intenção de impunidade e por impossibilidade de defesa da vítima-- e fraude processual --os dois, segundo Cembranelli, alteraram provas do crime.
Desde o último dia 9, a advogada Cristina Christo Leite representa a mãe de Isabella, Ana Carolina Cunha de Oliveira, no processo. Ela atua como assistente de acusação. Ela teria autorização para acompanhar os depoimentos dos dois réus, mas não está confirmada a presença dela no fórum.
Habeas corpus
Ontem (27), a 5ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) confirmou a negativa do último pedido de habeas corpus feito pela defesa do casal. Os ministros entenderam que o STJ não poderia julgar o mérito do habeas corpus por força da súmula 691 do STF (Supremo Tribunal Federal), que veta a concessão de liminar quando a instância anterior --neste caso, o TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo-- não apreciou o mérito da questão.
Para a defesa, não há justa causa para a prisão preventiva do casal; e o recebimento da denúncia (acusação formal) feita por Cembranelli deve ser anulado, já que o despacho do magistrado --Fossen-- demonstra pré-julgamento por parte dele.
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