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Cotidiano
28/05/2008 - 14h13

Madrasta de Isabella começa a prestar depoimento a juiz

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CLAYTON FREITAS
da Folha Online

Começaram às 13h52 desta quarta-feira os depoimentos do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina Isabella, assassinada no último dia 29 de março, em São Paulo. Jatobá será a primeira a ser ouvida pelo juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri. Depois, será a vez de Nardoni.

Se demonstrar bom comportamento, Jatobá poderá assistir ao depoimento do marido --já ele não poderá ouvir o dela para que não haja contaminação das informações. No fórum, os dois foram mantidos separados, em celas com grades e telas de metal. Embora pudessem se ver, PMs escoltavam os dois para garantir que eles não conversassem, segundo a assessoria de imprensa do TJ (Tribunal de Justiça). Nas celas, Jatobá almoçou, mas Nardoni não.

Danilo Verpa/Folha Imagem
O pai de Isabella, Alexandre Nardoni, chega sob escolta da PM para prestar depoimento no fórum de Santana (zona norte de São Paulo)
O pai de Isabella, Alexandre Nardoni, chega sob escolta da PM para prestar depoimento no fórum de Santana (zona norte de São Paulo)

Os depoimentos são assistidos pelo promotor de Justiça Francisco Cembranelli; a advogada Cristina Christo Leite, que representa a mãe de Isabella no processo; os três advogados de defesa; e mais dois advogados da Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo.

O pai de Nardoni, o advogado Antônio Nardoni, e o pai de Jatobá, Alexandre Jatobá, estão no fórum, mas não foram autorizados pelo juiz a acompanhar os depoimentos.

Nardoni e Jatobá estão vestindo os uniformes usados nas penitenciárias em que passaram os últimos dias, em Tremembé (138 km de São Paulo). Os dois estão presos desde o dia 7 e, de acordo com Antônio, estão "emocionalmente abalados" por sentirem muito "a falta dos filhos".

Processo

O interrogatório dos réus marca o início da fase de instrução do processo que investiga a morte de Isabella. Depois de ouvir os dois, o juiz irá ouvir os depoimentos das testemunhas listadas pelo promotor Francisco Cembranelli e pela defesa. Os dois lados se manifestam e, então, Fossen decide se o casal vai a júri popular.

Nardoni e Jatobá são acusados de homicídio qualificado --por asfixia, por crime motivado por intenção de impunidade e por impossibilidade de defesa da vítima-- e fraude processual --os dois, segundo Cembranelli, alteraram provas do crime.

Habeas corpus

Ontem (27), a 5ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) confirmou a negativa do último pedido de habeas corpus feito pela defesa do casal. Os ministros entenderam que o STJ não poderia julgar o mérito do habeas corpus por força da súmula 691 do STF (Supremo Tribunal Federal), que veta a concessão de liminar quando a instância anterior --neste caso, o TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo-- não apreciou o mérito da questão.

Para a defesa, não há justa causa para a prisão preventiva do casal; e o recebimento da denúncia (acusação formal) feita por Cembranelli deve ser anulado, já que o despacho do magistrado --Fossen-- demonstra pré-julgamento por parte dele.

 

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