Madrasta de Isabella começa a prestar depoimento a juiz
CLAYTON FREITAS
da Folha Online
Começaram às 13h52 desta quarta-feira os depoimentos do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina Isabella, assassinada no último dia 29 de março, em São Paulo. Jatobá será a primeira a ser ouvida pelo juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri. Depois, será a vez de Nardoni.
Se demonstrar bom comportamento, Jatobá poderá assistir ao depoimento do marido --já ele não poderá ouvir o dela para que não haja contaminação das informações. No fórum, os dois foram mantidos separados, em celas com grades e telas de metal. Embora pudessem se ver, PMs escoltavam os dois para garantir que eles não conversassem, segundo a assessoria de imprensa do TJ (Tribunal de Justiça). Nas celas, Jatobá almoçou, mas Nardoni não.
| Danilo Verpa/Folha Imagem |
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| O pai de Isabella, Alexandre Nardoni, chega sob escolta da PM para prestar depoimento no fórum de Santana (zona norte de São Paulo) |
Os depoimentos são assistidos pelo promotor de Justiça Francisco Cembranelli; a advogada Cristina Christo Leite, que representa a mãe de Isabella no processo; os três advogados de defesa; e mais dois advogados da Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo.
O pai de Nardoni, o advogado Antônio Nardoni, e o pai de Jatobá, Alexandre Jatobá, estão no fórum, mas não foram autorizados pelo juiz a acompanhar os depoimentos.
Nardoni e Jatobá estão vestindo os uniformes usados nas penitenciárias em que passaram os últimos dias, em Tremembé (138 km de São Paulo). Os dois estão presos desde o dia 7 e, de acordo com Antônio, estão "emocionalmente abalados" por sentirem muito "a falta dos filhos".
Processo
O interrogatório dos réus marca o início da fase de instrução do processo que investiga a morte de Isabella. Depois de ouvir os dois, o juiz irá ouvir os depoimentos das testemunhas listadas pelo promotor Francisco Cembranelli e pela defesa. Os dois lados se manifestam e, então, Fossen decide se o casal vai a júri popular.
Nardoni e Jatobá são acusados de homicídio qualificado --por asfixia, por crime motivado por intenção de impunidade e por impossibilidade de defesa da vítima-- e fraude processual --os dois, segundo Cembranelli, alteraram provas do crime.
Habeas corpus
Ontem (27), a 5ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) confirmou a negativa do último pedido de habeas corpus feito pela defesa do casal. Os ministros entenderam que o STJ não poderia julgar o mérito do habeas corpus por força da súmula 691 do STF (Supremo Tribunal Federal), que veta a concessão de liminar quando a instância anterior --neste caso, o TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo-- não apreciou o mérito da questão.
Para a defesa, não há justa causa para a prisão preventiva do casal; e o recebimento da denúncia (acusação formal) feita por Cembranelli deve ser anulado, já que o despacho do magistrado --Fossen-- demonstra pré-julgamento por parte dele.
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