Alexandre Nardoni acusa delegados e se contradiz em interrogatório
PAULO TOLEDO PIZA
Colaboração para a Folha Online
O pai da menina Isabella, Alexandre Nardoni, acusou nesta quarta-feira os dois delegados que investigaram a morte de sua filha de realizar um inquérito tendencioso e de pressioná-lo para que confessasse.
| Almeida Rocha/Folha Imagem |
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| Marco Polo Levorin, que defende Jatobá e Nardoni, chega ao Fórum de Santana |
Alexandre e a mulher, Anna Carolina Jatobá, são acusados de agredir a menina e atirá-la pela janela do apartamento do casal, no sexto andar do edifício London, zona norte de São Paulo. Os dois foram interrogados no Fórum de Santana.
O depoimento do pai de Isabella começou pouco antes das 18h e durou duas horas, metade do tempo que a mulher falou.
Algemado e com o uniforme do sistema prisional, o acusado disse ao juiz Maurício Fossen que foi chamado de "assassino" pela delegada Renata Pontes e de "psicopata frio" pelo delegado Calixto Calil Filho. Segundo o acusado, em seu primeiro depoimento, no dia do crime, o delegado chutava uma lixeira e dava socos na parede enquanto ouvia Alexandre. Ele só teria parado depois que seu pai, Antonio Nardoni, chamou um advogado.
| Danilo Verpa/Folha Imagem |
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| Em carro da Polícia Militar, Alexandre Nardoni chega para depor no Fórum de Santana |
Por meio da assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública, Renata Pontes se disse tranqüila em relação a seu trabalho de investigação e que jamais induziu, sugeriu, aconselhou ou mandou que Jatobá desse qualquer tipo de resposta. O delegado ainda não se manifestou.
Mais suspeitos
Alexandre reclamou ao juiz que desde o começo das investigações a polícia já os considerava culpados. "Nunca investigaram o porteiro, o pedreiro e o zelador", disse a Fossen. O juiz questionou se ele tinha algo contra os três. Alexandre respondeu que todos haviam tido acesso às chaves do apartamento, recém-reformado e ocupado pela família.
Assim como a mulher, que depôs antes do marido, Alexandre descreveu a relação dos dois. Mais calmo que Jatobá --que tinha a voz embargada e chorava quando falava da enteada, ele se contradisse quando dava detalhes sobre o temperamento da mulher.
Inicialmente, Alexandre disse que nunca havia sido xingado por sua mulher, mas depois voltou atrás e disse que agressões verbais já haviam acontecido. O acusado também negou que a mulher era ciumenta, o que a própria Jatobá já havia admitido anteriormente.
Dia do crime
Os passos da família no dia que a garota foi jogada pela janela também foram descritos por Nardoni. Ao contrário da mulher, que contou o que acontecera desde a quinta-feira anterior ao crime, o pai de Isabella falou apenas sobre o sábado, 29 de março, dia que Isabella morreu.
A versão é a mesma que a mulher apresentou à Justiça e que ambos já haviam contado à polícia desde o assassinato: os dois chegaram juntos ao prédio e Alexandre subiu sozinho carregando Isabella. Jatobá e as outras duas crianças ficaram no carro até que ele voltasse, sem a filha, para ajudá-los a subir. Na versão da defesa, uma pessoa entrou no apartamento enquanto Alexandre descia, agrediu a menina e a jogou pela janela.
A polícia considera que o tempo entre a chegada do casal --fornecido pela empresa de rastreamento do carro-- e a morte da menina, não seria suficiente para um invasor cometer o crime. A versão policial é a de que a garota foi agredida no carro e esganada pela madrasta, e depois atirada pela janela pelo pai.
Com RENATO SANTIAGO da Folha Online
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