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Cotidiano
28/05/2008 - 22h51

Para promotor, casal Nardoni tentou desmoralizar polícia em depoimentos

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PAULO TOLEDO PIZA
Colaboração para a Folha Online

O promotor Francisco Cembranelli, que denunciou o casal Alexandre Nardoni, 29, e Anna Carolina Jatobá, 24, pela morte de Isabella, 5, disse que o pai e a madrasta da menina tentaram desmoralizar o trabalho da Polícia Civil durante o depoimento desta quarta-feira à Justiça, quando acusaram policiais de terem feito pressão para que ambos confessassem a morte da criança.

Alexandre e Anna Carolina foram interrogados nesta quarta pelo juiz Maurício Fossen, que decretou a prisão preventiva do casal. O depoimento de Anna Carolina terminou por volta das 17h30 e o do pai de Isabella, por volta das 19h50. Ambos retornaram aos presídios por volta das 20h, em carros separados.

O pai de Isabella disse que foi chamado de "assassino" pela delegada Renata Pontes e de "psicopata frio" pelo delegado Calixto Calil Filho, do 9º DP (Carandiru, zona norte de São Paulo). A madrasta também afirmou ter sido pressionada.

"É uma grande novidade [a suposta pressão dos policiais]. Não se referiram a isso nos outros interrogatórios. Eles disseram que levaram esses fatos ao conhecimento de seus advogados, que até o momento não adotaram nenhum comportamento contra esses "pseudo maus policiais'", afirmou Cembranelli.

Para o promotor, os depoimentos correram como o esperado, sem surpresas. "Eles negaram o que lhes foi atribuído. Ambos respondem tudo o que não diz respeito diretamente ao crime. No entanto, sobre os indícios do crime, não sabem dar explicações", disse o promotor.

Cembranelli perguntou ao casal porque nenhum dos dois falou sobre as supostas pressões feitas por policiais e, segundo ele, nenhuma resposta foi satisfatória. Anna Carolina teria dito que preferiu apresentar as denúncias ao juiz.

"Não consigo imaginar advogados competentes, que são informados por seus clientes que foram pressionados e esses advogados não tomam nenhuma medida", disse Cembranelli.

Os advogados deixaram o Fórum de Santana (zona norte) sem falar com a imprensa.

Por meio da assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública, a delegada Renata Pontes se disse tranqüila em relação a seu trabalho de investigação e que jamais induziu, sugeriu, aconselhou ou mandou os acusados darem qualquer tipo de resposta. O delegado não se manifestou.

Os próximos depoimentos do caso, desta vez de testemunhas de acusação, ocorrem nos dias 17 e 18 de junho. Na próxima segunda-feira (2), os advogados de defesa do casal indicam as testemunhas de defesa.

Choro e contradições

O depoimento de Anna Carolina foi marcado por momentos de choro. A madrasta chorava nos momentos em que falava sobre a enteada morta.

Ela admitiu que tinha muito ciúme de Ana Carolina Oliveira, mãe da Isabella e ex-namorada de Alexandre, mas não por causa da garota, e sim por que ambas têm o mesmo nome e são parecidas, na opinião dela.

A madrasta também afirmou não saber se já foi traída por Alexandre. "Só ele [Alexandre] pode responder. É a dúvida que fica em mim", disse Anna Carolina. O depoimento dela durou cerca de quatro horas.

Já Alexandre falou por cerca de duas horas ao juiz. Além de acusar a polícia, o pai de Isabella se contradisse quando dava detalhes sobre o temperamento da mulher.

Inicialmente, Alexandre disse que nunca havia sido xingado por sua mulher, mas depois voltou atrás e disse que agressões verbais já haviam acontecido. O acusado também negou que a mulher era ciumenta, o que a própria Anna Carolina já havia admitido anteriormente.

 

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