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Cotidiano
29/05/2008 - 08h42

Madrasta de Isabella diz que sofreu pressão para culpar marido

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KLEBER TOMAZ
ANDRÉ CARAMANTE
da Folha de S.Paulo

Em seus primeiros depoimentos à Justiça no processo no qual são réus pela morte de Isabella Nardoni, 5, Anna Carolina Jatobá, 24, e Alexandre Nardoni, 29, madrasta e pai da menina, adotaram a tática de acusar os policiais que investigaram o caso de pressioná-los a assumir o crime.

Anna Jatobá acusou a delegada responsável pela investigação, Renata Pontes, do 9º DP (Carandiru), de pressioná-la para apontar o marido, Alexandre Nardoni, 29, como responsável pelo crime. Nardoni acusou o delegado Calixto Calil Filho, chefe de Renata, de chamá-lo de "psicopata frio". E disse que a delegada o chamou de "assassino".

Anna Jatobá afirmou ao juiz que a delegada lhe disse que, caso ela viesse a ser presa, ficaria recolhida em cela comum, pois não concluiu o curso de direito, "enquanto Nardoni ficaria em cela especial [por ter terminado a faculdade], e que ela o protegia por amor".

Anna Jatobá e Nardoni foram interrogados ontem pelo juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri, no fórum de Santana (zona norte de SP). Algemado e com roupas do sistema prisional --calça e camisa cáqui-, o casal negou o crime.

A delegada, por meio da Secretaria da Segurança Pública, afirmou que está tranqüila em relação à investigação e que "jamais induziu, sugeriu, aconselhou ou mandou" que ela desse qualquer resposta ou informação contra sua própria vontade. O delegado Calixto foi procurado por telefone no início da noite, mas não ligou de volta.

O promotor Francisco Cembranelli, responsável pela denúncia do casal à Justiça, disse estranhar o fato de os advogados não terem apontado antes a suposta pressão da polícia sobre seus clientes.

Os interrogatórios começaram às 13h52 e duraram até as 20h. Anna Jatobá foi a primeira a ser ouvida. Nardoni começou a ser interrogado às 17h55. Um réu não pôde ouvir o depoimento do outro. Os três advogados do casal não quiseram falar com a imprensa.

Os dois depoimentos foram fechados, apesar de não haver segredo de Justiça no processo. As informações sobre o que os réus disseram ao juiz foram retransmitidas por assessores do Tribunal de Justiça.

Anna Jatobá também admitiu sentir ciúmes da mãe de Isabella, a bancária Ana Carolina Oliveira, 24, mas não por conta da menina e sim porque ela tem o mesmo nome que o seu e é parecida fisicamente com ela.

 

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