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Cotidiano
29/05/2008 - 18h17

Garotinho era espécie de chefe político de quadrilha de Álvaro Lins, diz MPF

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LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

O MPF (Ministério Público Federal) aponta o ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PMDB) como uma espécie de chefe político da quadrilha desmantelada na Operação Segurança Pública SA, nesta quinta-feira, e "imprescindível" para o funcionamento dela. O deputado estadual Álvaro Lins (PMDB), ex-chefe da Polícia Civil do Rio, foi preso em flagrante por lavagem de dinheiro.

De acordo com a PF, o esquema, composto por policiais, consistia em proteger empresários ligados a atividades como o jogo do bicho por meio de pagamento de propinas a delegados nomeados estrategicamente para as áreas oonde os empresários atuavam. Os policiais envolvidos também prendiam os rivais dos grupos protegidos, segundo a PF. O esquema, conforme as investigações, funcionou por pelo menos seis anos dentro da estrutura da Secretaria de Segurança do Rio.

Embora não haja, para o MPF, nenhuma prova concreta de que Garotinho se beneficiasse diretamente do esquema, o ex-governador dava respaldo político e garantia a nomeação de delegados. Sem a participação do ex-governador, diz o MPF, o esquema não seria viável.

"Para nomear delegados, precisavam do crivo de Garotinho. Mas não temos provas de que ele pedia ou recebia dinheiro, como temos em relação ao Álvaro Lins e ao [Ricardo] Hallack [também ex-chefe da Polícia Civil do Rio e com mandado de prisão expedido, mas foragido]", disse o procurador regional da república Paulo Fernando Corrêa, um dos autores do relatório que denunciou Garotinho, Lins e mais 14 pessoas à Justiça.

Para o MPF, um dos indícios mais fortes de que Garotinho compactuava com a quadrilha foi o fato de ele ter nomeado, quando era governador, Álvaro Lins para a chefia da Polícia Civil, em 2000. O nome Lins já havia aparecido em investigações sobre o jogo do bicho.

"Ele sabia quem era o Álvaro Lins, sabia que ele já constava na lista do jogo do bicho. Não é possível que [a nomeação] tenha sido do nada, que não houvesse na Polícia Civil quadros melhores e sem ligações com esquemas", disse o procurador regional da república Maurício da Rocha Ribeiro, também autor da denúncia.

O TRF (Tribunal Regional Federal) acatou pedido de prisão de 10 pessoas supostamente envolvidas no esquema, mas não autorizou a prisão de Garotinho. Ele responderá, mesmo assim, por formação de quadrilha armada, de acordo com o MPF.

Contra Álvaro Lins, o MPF diz haver provas suficientes de que ele se beneficiava, financeiramente, do esquema, do qual ele era provavelmente o chefe, na interpretação dos procuradores que assinam a denúncia. Segundo Corrêa, Lins tinha gastos mensais que variavam entre R$ 25 mil e R$ 30 mil na mesma época em que ganhava, como chefe da Polícia Civil, R$ 7.000 por mês.

No principal período de investigações, no fim de 2006, Lins, de volta à função de delegado e na campanha pelo cargo de deputado estadual, tinha renda mensal de R$ 4.000, afirmou Corrêa. "Todas as rendas dele eram totalmente incompatíveis com o patrimônio declarado por ele".

A Folha Online ainda não obteve retorno do advogado de Álvaro Lins. Garotinho afirmou, em seu blog, que ainda não havia sido oficialmente comunicado das acusações feitas contra ele pelo Ministério Público Federal.

 

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