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Cotidiano
29/05/2008 - 18h34

Operação Gladiador revelou à PF participação de Álvaro Lins em esquema

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LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

A Operação Segurança Pública S/A, que já prendeu o deputado estadual e ex-chefe da Polícia Civil do Rio Álvaro Lins (PMDB) nesta quinta-feira é um desdobramento da Operação Gladiador, de 2006, que investigou a máfia dos bingos e das máquinas caça-níqueis do Rio.

Documentos obtidos na ocasião, segundo a PF, levaram a um esquema de proteção a empresários do jogo do bicho e outras atividades ilegais, feito por um grupo do qual Lins e o também ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Ricardo Hallack, participavam. A PF ainda não detalhou a participação do ex-governador do Rio, Anthony Garotinho (PMDB), no esquema, mas ele foi denunciado nesta quinta-feira pelo Ministério Público Federal.

"Com base nas análises dos documentos apreendidos ali [na Operação Gladiador], nós vislumbramos a existência de uma quadrilha atuando no Rio de Janeiro, no âmbito da Segurança Pública", afirmou o superintendente da PF no Rio, o delegado Jacinto Valdinho Caetano.

A quadrilha, segundo Caetano, era formada por um grupo de policiais do Rio liderado por um dos envolvidos --cujo nome não foi revelado, mas que era um político, segundo a PF-- e por um segundo líder, "que tinha sob seu mando vários policiais". Lins foi chefe da Polícia Civil na época das investigações.

Com essa estrutura, o grupo atuava de duas formas: protegia empresários que cometiam crimes como sonegação de impostos e controle de jogo do bicho, e se infiltrava em delegacias para repassar verbas públicas a esses empresários e prender grupos rivais a eles.

"Eles davam cobertura a empresários que atuavam no limiar da legalidade e da ilegalidade. Existia também a conduta de nomear um determinado delegado para chefiar delegacias do Rio de Janeiro, com o compromisso de, mensalmente, fazer um repasse que ajudava não só no enriquecimento das pessoas da quadrilha mas também em campanhas políticas", afirmou o superintendente da PF.

"Quando não se conseguia alguém para colocar nas delegacias mediante esses pagamentos, eles colocavam um delegado que não tinha condições de técnicas de operar em determinadas delegacias e, junto, um grupo de policiais que, efetivamente, era quem controlava a delegacia, dando proteção a uns e prendendo outros",

Entre os acobertados pela quadrilha, segundo Caetano, está o contraventor Rogério Andrade, que disputava com Fernando Iggnácio o controle das máquinas de caça-níqueis no Rio.

Além dos dez mandados de prisão, a operação tinha ainda mandados de busca e apreensão, que foram cumpridos em 16 endereços diferentes da capital fluminense, de acordo com a PF.

 

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