Sargento gay detido em hospital será transferido para prisão em Brasília
da Folha Online
O Exército deve transferir para um presídio em Brasília o sargento Laci Marinho de Araújo, preso na madrugada desta quarta-feira acusado de deserção. Ele foi detido quando estava nos estúdios da Rede TV, onde participava, com seu companheiro, o também sargento do Exército Fernando de Alcântara de Figueiredo, do programa "Superpop".
Os sargentos são tema de reportagem de capa da revista "Época" desta semana sobre o relacionamento homossexual que mantém. Eles vivem em união estável desde 1997, segundo a reportagem.
Membros do Condepe (Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana), da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP e do CRM (Conselho Regional de Medicina) estiveram na tarde de hoje no hospital do Exército, no Cambuci (região central), onde Araújo está internado.
O sargento foi encaminhado para o hospital porque faz tratamento psiquiátrico com medicação controlada. Ele passou por exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal) e foi encaminhado para a unidade, acompanhado de Figueiredo. Segundo o advogado Ariel de Castro Alves, secretário-geral do Condepe, a instituição negociou para que Araújo tivesse o acompanhamento de Figueiredo devido ao seu estado emocional abalado.
Os representantes das comissões visitaram Araújo no hospital para garantir sua integridade física e psicológica, segundo Alves. Quando chegaram à unidade, foram informados de que a equipe médica deu parecer favorável à transferência de Araújo para a prisão do Exército em Brasília.
"Achamos que não é o caso de prisão porque ele está em tratamento. Ele [Araújo] está deprimido pela situação [prisão]. Não tem condições de ser transferido", afirmou o advogado Francisco Lúcio França, da comissão da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
Segundo ele, Figueiredo já recebeu autorização para acompanhar Araújo no vôo para Brasília, no entanto, os representantes das comissões tentarão reverter a decisão do Exército. Uma perícia será solicitada ao CFM (Conselho Federal de Medicina) para comprovar que Araújo não tem condições de ficar detido em uma prisão, segundo França.
| Apu Gomes/Folha Imagem |
![]() |
| Sargentos do Exército aguardam prisão, na madrugada de hoje; veja galeria de imagens |
Deserção
Araújo é considerado desertor do Exército e tinha mandado de prisão expedido pela Justiça Militar desde o dia 21 de maio, segundo reportagem da "Época". Ele foi preso, por volta das 4h de hoje, após o mandado de prisão da Justiça Militar chegar via fax à emissora.
De acordo com o artigo 187 do Código Penal Militar, deserção é a ausência do militar, por mais de oito dias, sem licença, da unidade em que serve ou do lugar em que deve permanecer.
A pena é a detenção de seis meses a dois anos. Se for oficial, a pena é agravada.
Desespero
Ao saber que seria preso ao sair da emissora, o sargento Araújo entrou em desespero. Ele ainda participava do programa "Superpop".
"Eu vim em rede nacional para resguardar a minha vida. Porque a televisão atinge mais pessoas do que a revista. Se eu for preso eu vou morrer, será queima de arquivo", declarou o militar.
A apresentadora Luciana Gimenez informou que não podia fazer nada pelo militar. Ela se despediu do público para o encerramento do programa, mas ainda era possível ler os lábios do sargento de Araújo, que balbuciava: "Eu não vou me entregar".
A Folha Online falou com a Rede TV!, que não vai comentar o assunto.
Exército
Em seu site oficial, o Exército publicou uma nota sobre o episódio. Leia na íntegra:
"A propósito da matéria veiculada na última edição do periódico "Época" e em emissora de televisão, envolvendo militares do Exército, o Centro de Comunicação Social do Exército esclarece que aqueles militares já respondem a procedimentos judiciais, que estão na esfera da Justiça Militar da União.
As medidas cabíveis que a situação exige estão sendo adotadas de forma tempestiva, sem se descuidar dos princípios basilares da carreira das armas, enunciados no Estatuto dos Militares, dentre outras leis e respectivas regulamentações.
O Exército cumpre rigorosamente os instrumentos legais, agindo com impessoalidade e observando os direitos pétreos previstos na Constituição Federal".
Leia mais
- Ministro da Defesa discute prisão de sargento gay do Exército com Frente Parlamentar
- Frente Parlamentar quer discutir com Jobim prisão de sargento gay do Exército
- Programa de Luciana Gimenez termina com prisão de sargento gay pelo Exército
- Escritora que mudou de sexo se casa novamente com a primeira mulher
- Saiba como o gay enrustido de "A Favorita" vai entrar na trama
- Aguinaldo Silva chorou quando soube da proibição do beijo gay
Livraria da Folha
- Livro trata dos conflitos, mitos e tabus do relacionamento entre meninas
- "Guia GLS" traz os melhores roteiros e programas para gays e lésbicas em São Paulo
- Guia ensina os códigos da cultura gay em oito idiomas
- Folha Explica as décadas de 60 e 70 no Brasil, marcadas pela ditadura
Especial


