Sargento gay é transferido para Brasília; comissão do Senado acompanha caso
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O Exército transferiu nesta quinta-feira para um Hospital Geral de Brasília o sargento Laci Marinho de Araújo, preso na madrugada de ontem (4) acusado de deserção. O sargento foi detido quando estava nos estúdios da Rede TV, onde participava, com seu companheiro, o também sargento do Exército Fernando de Alcântara de Figueiredo, do programa "Superpop".
Os sargentos afirmam que vêm sendo perseguidos no Exército desde que assumiram a relação homossexual. Os dois vivem em união estável desde 1997. Os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e José Nery (PSOL-PA) estão reunidos com os sargentos no hospital, no setor militar urbano, para discutir o caso e garantir a integridade física e psicológica dos sargentos.
Os sargentos foram para Brasília em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira). Araújo foi algemado e, segundo seu companheiro, empurrado para fora do avião quando desembarcaram em Brasília.
A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado instalou hoje uma grupo de trabalho para negociar com o Exército e o Ministério da Defesa uma solução para o impasse, uma vez que o Exército sustenta que Araújo cometeu crime de "deserção" --mas nega que haja qualquer "perseguição" em relação ao sargento.
Além de Suplicy e Nery, as senadoras Serys Slhessarenko (PT-MT) e Fátima Cleide (PT-RO) também integram o grupo de trabalho que vai acompanhar o caso dos sargentos.
No plenário do Senado, Suplicy disse que vai recomendar a Araújo que escreva uma carta aos Ministérios da Defesa e da Justiça, além do Comando do Exército, dizendo que não deseja ser desertor das Forças Armadas.
Prisão
Araújo tinha mandado de prisão expedido pela Justiça Militar desde o dia 21 de maio, segundo reportagem da revista "Época". O militar acabou preso por volta das 4h de ontem (4), após o mandado de prisão da Justiça Militar chegar via fax à RedeTV, responsável pelo "Superpop".
Segundo o Código Penal Militar, deserção é a ausência do militar, por mais de oito dias, sem licença, da unidade em que serve ou do lugar em que deve permanecer.
A pena é a detenção de seis meses a dois anos. Se for oficial, a pena é agravada. Como Araújo faz tratamento psiquiátrico com medicação controlada, foi encaminhado para um hospital do Exército em São Paulo, mas transferido para Brasília na tarde de hoje, onde mora com o companheiro.
Membros do Condepe (Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana), da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP e do CRM (Conselho Regional de Medicina) estiveram ontem à tarde no hospital do Exército, em São Paulo, onde Araújo esteve internado. O sargento passou por exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal) e foi encaminhado para a unidade, acompanhado de Figueiredo.
Segundo o advogado Ariel de Castro Alves, secretário-geral do Condepe, a instituição negociou para que Araújo tivesse o acompanhamento de Figueiredo devido ao seu estado emocional abalado.
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