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Cotidiano
05/06/2008 - 23h25

Companheiro de sargento preso vai à conferência GLBT; Lula diz que já sofreu preconceito

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ANA CAROLINA OLIVEIRA
da Folha Online
da Agência Brasil

O sargento do Exército Fernando de Alcântara de Figueiredo, companheiro do também sargento Laci Marinho de Araújo, preso ontem (4) por deserção, participou nesta quinta-feira da 1ª Conferência Nacional GLBT. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também participou hoje do evento, onde ganhou um boné a uma bandeira com o arco-íris, símbolo do movimento gay.

Participaram do evento ministros, deputados e representantes da comunidade gay. Os discursos das autoridades foram voltados para o combate ao preconceito e à homofobia.

Figueiredo foi à conferência para falar sobre a prisão do companheiro. Para ele houve violência na prisão de Araújo." A prisão foi arbitrária e violenta. Ele foi preso assim que desembarcou e logo foi jogado no chão. Estou muito angustiado, pois até agora não pude vê-lo e já soube que hoje ele sofreu agressões", afirmou o sargento Figueiredo.

O secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, afirmou que está acompanhando de pessoalmente o caso sobre a prisão do sargento e disse que já entrou em contato com as Forças Armadas. " Os militares garantiram que a prisão não foi por homofobia e sim porque ele infringiu o código militar", afirmou o secretário.

Na abertura da conferência, Lula disse que também já foi alvo de preconceitos. "Quando se trata de preconceito, eu conheço nas minhas entranhas e talvez seja a doença mais perversa criada na cabeça do ser humano. Nós precisamos criar no Brasil o dia de combate à hipocrisia" disse o presidente.

Ele também falou que esse é um momento único e difícil para um presidente da República. "Não é fácil para o presidente da República participar de um momento tão heterogêneo e com tanto alvo de preconceito. Estamos vivendo um processo de reparação", disse Lula.

O encontro acontece até domingo (8) e conta com a participação de representantes de 14 países. O objetivo é propor políticas públicas e elaborar um Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de GLBT que será entregue ao presidente.

Lula prometeu dar igual tratamento ao projeto assim como fez com os outros 49 documentos entregues de outras conferências já realizadas no país.

Prisão

O sargento Araújo foi preso na madrugada de ontem com um mandado de prisão expedido pela Justiça Militar desde o dia 21 de maio por deserção. O militar acabou preso por volta das 4h de ontem (4), após o mandado de prisão da Justiça Militar chegar via fax à RedeTV, responsável pelo "Superpop", onde ele participou de uma entrevista, junto com seu companheiro.

Segundo o Código Penal Militar, deserção é a ausência do militar, por mais de oito dias, sem licença, da unidade em que serve ou do lugar em que deve permanecer.

A pena é a detenção de seis meses a dois anos. Se for oficial, a pena é agravada. Como Araújo faz tratamento psiquiátrico com medicação controlada, foi encaminhado para um hospital do Exército em São Paulo, mas transferido para Brasília na tarde de hoje, onde mora com o companheiro.

Os sargentos acusam o Exército de preconceito e retaliação, já que a prisão ocorreu depois de uma entrevista dada à revista "Época" em que eles falaram sobre a união estável em que vivem desde 1997.

 

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