Polícia prende suspeitos de esconder R$ 15 mi furtados do BC de Fortaleza
KAMILA FERNANDES
da Agência Folha, em Fortaleza
A prisão de dois homens pela Polícia Federal na última quarta-feira (4) pode levar a pistas de onde estariam cerca de R$ 15 milhões do furto ao Banco Central em Fortaleza.
Segundo as investigações, os dois presos --o comerciante Luís Eduardo de Moura Mota e o policial militar Edmilson Vieira-- não teriam tido participação direta no assalto, mas teriam escondido parte do dinheiro. A PF não divulgou o teor dos depoimentos e mantém sigilo sobre as buscas.
O furto ao Banco Central ocorreu em agosto de 2005. Foram levados R$ 164,7 milhões da caixa-forte do banco. Até agora, foram recuperados cerca de R$ 53 milhões.
A PF já identificou 60 pessoas como "laranjas" no esquema de lavagem do dinheiro furtado. No planejamento e nas escavações do túnel teriam atuado 36 pessoas, das quais 26 foram presas e quatro foram mortas.
A PF já investigava Mota desde agosto de 2006, quando crianças encontraram, enterrados em uma casa na periferia de Natal, R$ 418 mil em notas de R$ 50, as mesmas furtadas do Banco Central um ano antes. Mota é marido de Marcilene Alves Delmiro, a dona da casa.
Seqüestrador
As suspeitas de que ele possa guardar mais dinheiro do furto foram reforçadas pelo depoimento de um seqüestrador, Jólison Oliveira Guimarães, o Baiano, preso no mês passado pela Polícia Civil do Ceará. Em depoimento, ele disse ter seqüestrado e extorquido pessoas ligadas ao furto, por saber que havia mais dinheiro.
Em maio do ano passado, a mulher, a filha e uma cunhada de Mota foram seqüestradas e libertadas após 26 dias de cativeiro, com o pagamento de um resgate. A polícia estima que o comerciante possa ter ficado com R$ 11 milhões, dinheiro que teria sido repassado pelo ex-vigilante Deusimar Neves de Queiroz, condenado a 47 anos de prisão por participação no crime. Deusimar é acusado de dar informações sobre a segurança interna do banco.
O PM Vieira teria ficado com quase R$ 4 milhões do furto e chegou a ser seqüestrado pela quadrilha de Baiano, como apurou a Polícia Civil.
A advogada de Mota, Erbênia Rodrigues, negou que ele tenha ficado com tanto dinheiro. Segundo ela, em depoimento, seu cliente negou ter participado do furto, alegando ter recebido uma quantia de um amigo, cerca de R$ 2,3 milhões. A Folha não localizou o advogado de Vieira.
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