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Cotidiano
08/06/2008 - 16h11

Japoneses e descendentes ensaiam no sambódromo para receber o príncipe Naruhito

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ROBERTA LOPES
Colaboração da Folha Online

Uma multidão de 12 mil pessoas se reuniu neste domingo no sambódromo do Anhembi (zona norte) para o ensaio geral da cerimônia oficial das comemorações em São Paulo do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. No próximo dia 21, o príncipe herdeiro Naruhito será recebido no local com as apresentações de grupos de diversas manifestações da arte, cultura e tradição japonesas --alguns deles com uma pitada de elementos brasileiros.

O evento deve acontecer das 13h às 18h do dia 21. O príncipe deve chegar às 15h50, desfilar pelo sambódromo e depois se dirigir a um palco montado no local, que vai abrigar um trono, de onde Naruhito assistirá as apresentações de 30 grupos vindos de diversas partes do Brasil.

Cada um dos grupos passou hoje pelo sambódromo como em um desfile de escolas de samba. O objetivo era encontrar as falhas na apresentação e corrigi-las até o dia do evento. Segundo a organização, o objetivo da solenidade é mostrar o paradoxo entre o novo e o velho, a união de jovens e idosos, todos celebrando a presença dos japoneses no Brasil.

E assim como as escolas de samba brasileiras, um grupo de cerca de 250 pessoas quer desfilar pela avenida mostrando seu "samba", cantado em japonês. O Nikkei Samba Team Arigatô foi criado há sete anos por executivos japoneses que vieram a trabalho para o Brasil. Eles resolveram adaptar o samba a elementos da cultura japonesa. "Passistas" de kimonos verdes e vermelhos vão desfilar ao som do samba-japonês.

Diferente da maioria dos outros grupos, o Nikkei Samba Team Arigatô tem 90% de seus integrantes japoneses. Os demais reúnem em sua maioria descendentes de japoneses.

Entre as passistas está a menina Rena Hirao, 11, que nasceu na Alemanha, morou dois anos no Japão e está há três anos no Brasil. Ela não fala português.

"Para mim é muito difícil dançar samba como os brasileiros. O ritmo é completamente diferente ao que estou acostumada", disse a menina, com a ajuda de uma tradutora. Ela vai participar da apresentação por incentivo das amigas. Sozinha, não iria.

Diferentemente de Kimiko Yamamoto, 87, de Mogi das Cruzes (Grande São Paulo), que participa do grupo Rádio Taisso, que apresentará um esporte típico do Japão, de nome Taisso. Ela e mais cerca de 1.300 pessoas --a maioria delas idosas-- estão felizes com a participação na cerimônia.

"Me sinto muito honrada. Para nós que somos mais velhos é praticamente uma bênção poder ter essa oportunidade e saber que já faz 100 anos que japoneses estão no Brasil. Poder contar com essa aprovação do príncipe é muito importante para todos nós", disse Kimiko com dificuldade, porque quase não fala português.

Ela, como grande parte das participantes do grupo, nasceu no Japão e veio para o Brasil após enfrentar uma grande dificuldade. Kimiko veio para o país com 39 anos, após o marido voltar da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e a família ficar sem ter o que comer e vestir. Hoje, Kimiko não pensa em voltar para o Japão.

"Depois de tanto tempo, me acostumei aqui. Não penso em voltar para o Japão e acredito que já posso "enterrar meus ossos aqui'", afirmou.

Os ingressos para a solenidade já estão esgotados, de acordo com a assessoria de imprensa do evento. Eles foram distribuídos para associações nipo-brasileiras de todo país, com a recomendação de dar preferência para os idosos japoneses.

Com CAROLINA FARIAS, da Folha Online

 

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