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Cotidiano
08/06/2008 - 23h44

Faxineiro morre a facadas na rua Augusta

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da Folha Online

O faxineiro Jefersson Clemente da Silva, 21, morreu após ser esfaqueado na rua Augusta, na região central de São Paulo, por volta da 0h15 deste domingo. Ele recebeu as facadas em horário próximo de um outro crime ocorrido na mesma rua, cometido por supostos skinheads e que deixou um cabo da Policia Militar ferido no rosto.

Silva foi socorrido pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e encaminhado à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu à noite.

O faxineiro morava em Ferraz de Vasconcelos (Grande São Paulo). Os detalhes das circunstâncias da morte de Silva não são conhecidos. Inicialmente, o registro feito no 4º Distrito Policial (Consolação) não identificou Silva. Ele constava como desconhecido e só foi reconhecido horas depois, quando um outro boletim de ocorrência, registrado no 77º DP (Santa Cecília), foi feito para comunicar a morte.

Em uma análise preliminar, os agentes do 4º DP (Consolação) descartam relação entre os dois casos. Entretanto, somente as investigações a respeito vão apontar se os autores das facadas são os mesmos suspeitos ou não.

Injúria

O cabo do 7º Batalhão de Polícia Militar Wilson Vasconcelos Neves, 40, foi agredido após tentar socorrer um rapaz que era perseguido por um grupo de supostos skinheads. O jovem estava acompanhado de uma amiga e foi xingado. Ele tentou correr e foi perseguido pelo grupo.

Foram usados soco inglês, barra de ferro e coturnos com pontas de aço para agredir as vítimas. Três suspeitos foram presos --Cley dos Passos Costa, 28, Carlos Gustavo Silva Duque Pinto, 22, e Otávio da Silva Duque Pinto, 25. Os dois últimos são apontados como irmãos, segundo a Secretaria de Segurança Pública. Eles foram indiciados por injúria, lesão corporal e tentativa de homicídio.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, por volta da 0h30 de hoje, o autônomo Rafael Pereira Ramalho, 22, descia a rua Augusta na companhia de uma amiga quando, na altura do número 770, foi xingado pelo grupo de supostos skinheads.

O grupo --composto por cinco pessoas-- insistiu nas ofensas e começou a perseguir Ramalho. Ele tentou fugir e a amiga dele foi pedir auxílio em um bar próximo ao local. O segurança do estabelecimento e o dono foram até a rua para tentar socorrer o autônomo. No trajeto encontraram Neves, que estava à paisana, e pediram auxílio. Neves é conhecido do dono do bar.

O cabo da PM foi até o local onde estava o grupo. Encontrou os irmãos Carlos e Otávio brigando entre si. Ao chegar próximo deles, Neves não encontrou Ramalho --ele teria conseguido fugir-- e fez menção de ir embora. Ao virar as costas os dois irmãos o teriam agredido na cabeça. O segurança do bar também foi vítima de um golpe no pescoço. Cley ameaçou o dono do bar com pedaço de uma garrafa quebrada.

Policiais militares que faziam ronda na região justamente para averiguar uma queixa de jovens que estavam ameaçando pessoas na rua foram até o local e conseguiram prender Cley e Otávio. Carlos foi dominado por um outro segurança que trabalha na região.

Nazismo

Além dos coturnos, fivela de cinto com soco inglês e barra de ferro utilizada nas agressões, celulares dos três também foram apreendidos.

Em ao menos um dos aparelhos, os nomes e números eram seguidos da sigla NS. A Polícia Civil suspeita se tratar de referência ao NSDAP (Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães), que tinha no nazista Adolf Hitler uma de suas principais lideranças.

 

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