Polícia diz acreditar em fuga de adolescentes, mas não descarta crime
PAULO TOLEDO PIZA
Colaboração para a Folha Online
Policiais do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) disseram nesta quarta acreditar que as duas adolescentes que desapareceram na última quinta-feira (5) em São Paulo tenham fugido de casa. Giovanna Maresti Sant'Anna Silva,15, e a amiga Ana Lívia Destefani Luciano, 16, foram vistas pela última vez em uma sessão de cinema no Espaço Unibanco, na rua Augusta.
O delegado Francisco Magano, responsável pelo caso, no entanto, não descarta que as meninas tenham sido vítimas de algum crime. "Esse tipo de aventura é muito perigosa. Não podemos descartar outras possibilidades, mas é muito provável que estejam no Rio Grande do Sul ou Monte Verde (MG)."
Sérgio Audi, padrasto de Giovanna, disse ter recebido uma ligação nesta tarde dando pistas de que elas teriam sido vistas em Cachoeira do Sul (RS). Magano informou que também recebeu informações de que elas poderiam estar em Monte Verde. As polícias dos dois Estados foram avisadas. A Polícia Federal na fronteira entre Brasil e Argentina (para onde as amigas estariam se dirigindo) também foram alertadas.
Antecipação
As duas garotas, segundo a polícia, já planejavam viajar, mas em julho. De acordo com Magano, as garotas tinham R$ 250 que a mãe de Ana Lívia havia dado a ela para comprar uma mochila térmica para equipamento fotográfico. Outra hipótese considerada pelo DHPP é a de que elas tenham vendidos seus aparelhos eletrônicos (como mp3 players).
"Elas não levaram nada de casa que acusasse essa aventura", diz o delegado.
Magano acrescentou que Ana Lívia já havia desaparecido antes, em 2005. Na época, um boletim de ocorrência foi feito, mas os parentes da garota não deram baixa nele. Por isso ela permanecia como desaparecida nos registros do DHPP.
Segundo a investigadora do DHPP Mara Silvia Moscatelli, Giovanna teria uma identidade falsa. "A mãe dela [a atriz e professora de teatro Kelly di Bertolli] me disse que sua filha tinha um RG de maior de idade", disse Moscatelli.
Discussão
A mãe de Giovanna disse à polícia que, por volta das 12h do dia do desaparecimento da filha, recebeu um telefonema dela dizendo que pretendia fazer uma viagem com a amiga Ana Lívia para a cidade de Bauru (329 km de São Paulo). Bertolli estava no Rio trabalhando, e a filha, em São Paulo. No contato, as duas acabaram discutindo.
Ela diz que autorizou a viagem da filha a Bauru desde que Giovanna fornecesse o telefone da mãe da amiga, que também iria viajar com as adolescentes. "Eu disse que podia, mas queria o telefone da mãe dela", afirma. Bertolli ressalta que a filha jamais desapareceu, porém que reclamava de sua vida na cidade de São Paulo e tinha interesse em viver no exterior.
"Ela é muito independente, fala muito bem inglês e espanhol. Mas isso é uma coisa. Outra coisa é largar a mãe dela desesperada, com um plano absurdo e sem dinheiro. Eu quero saber onde ela está, com quem ela está. Ela não tem idade para fazer tudo isso sozinha", disse Bertolli.
Estatísticas
Magano também afirmou que, em média, 2.000 pessoas desaparecem por mês no Estado de São Paulo. Destes casos, 82% delas são localizadas em dois ou três dias. "São maridos que não voltam para sua casa, adolescentes que saem sem avisar."
Os adolescentes correspondem a quase metade dos casos de desaparecidos (42%). "Na adolescência, as meninas ganham dos meninos [nos desaparecimentos] ", disse o delegado. Aproximadamente 24% dos desaparecidos são garotas com até 18 anos-- contra 18% de adolescentes homens.
"Essas fugas são motivadas por rebeldia, pela aventura e para chamar a atenção", contou Magano.
Quem tiver informações sobre o caso por ligar para o Disque-Denúncia no telefone 181.
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