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Cotidiano
11/06/2008 - 19h44

Príncipe Naruhito e filha ganham viola e violino brasileiros

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GABRIELA MANZINI
da Folha Online

O príncipe herdeiro do trono do Japão, Naruhito, que estará no Brasil na semana que vem, vai ganhar do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), uma viola feita no tradicional Conservatório Musical de Tatuí (141 km de São Paulo). Para a filha, Aiko, 6, ele vai levar um violino. Os dois instrumentos foram fabricados nos últimos meses, sob encomenda.

"Essas pessoas têm tudo. O que um príncipe pode querer? O que a gente procura é ir pela paixão da pessoa, e não pelo que ela precisa", justifica Cláudia Matarazzo, chefe do Cerimonial do governo paulista.

Sérgio Andrade/Governo do Estado SP
Em estojos, viola e violino que o príncipe herdeiro do Japão, Naruhito, e a filha dele, Aiko, irão ganhar do governo
Em estojos, viola e violino que o príncipe herdeiro do Japão, Naruhito, e a filha dele, Aiko, irão ganhar do governo

Fundado em 1954, o Conservatório de Tatuí é um centro de formação de instrumentistas e de luthiers --nome dos profissionais especializados em construir e consertar instrumentos de corda com caixa de ressonância. O curso dura quatro anos, é gratuito e, a cada ano, entram apenas quatro alunos. No ano passado, houve 58 candidatos às vagas.

"Hoje a demanda por instrumentos é muito grande no país, e falta mão de obra qualificada", diz o diretor do conservatório, o compositor Luigi Bertelli. O pai dele, o italiano Enzo Bertelli, atuava como luthier na Europa antes de vir para o Brasil e tem trabalhos internacionalmente reconhecidos. Hoje, o nome do italiano batiza o 1º Concurso Nacional de Luteria, promovido pelo conservatório --as inscrições estão abertas.

Conforme Luigi, o preço dos violinos feitos pelos alunos do conservatório chega a R$ 3.000, e os instrumentos são especiais porque são feitos manualmente, com madeiras brasileiras. Ele afirma que a produção manual é muito diferente da industrializada --o verniz é feito a mão-- e que as madeiras brasileiras são muito boas.

Pai e filho começaram a usar as madeiras brasileiras depois de uma pesquisa que atestou a qualidade do material, em comparação ao importado da Europa --o que deu independência à fabricação de instrumentos no Brasil.

 

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