Receber príncipe exigiu ajuste de protocolo, diz Cláudia Matarazzo
GABRIELA MANZINI
da Folha Online
Receber uma autoridade de outro país é sempre um desafio. Imagine quando o desafio vem acompanhado do fato de a autoridade ser o príncipe herdeiro do trono do Japão, monarquia hereditária mais antiga do mundo. Esta é a tarefa que tem ocupado os dias da consultora de etiqueta Cláudia Matarazzo, nos últimos meses.
Como chefe da equipe de cerimonial do Governo do Estado de São Paulo, ela é responsável por toda a pompa ao redor do jantar que o governador José Serra (PSDB) vai oferecer a Naruhito no próximo dia 21. Cláudia conta que, pelo fato de o protocolo japonês ser muito específico, pediu ajuda à professora de etiqueta japonesa Lumi Toyoda para organizar tudo. Em dois dias, a professora treinou a equipe que irá trabalhar no evento --40 pessoas.
Ficou totalmente proibido encarar, tocar ou apontar o príncipe.
"Outra diferença do Japão para cá é a pontualidade. O Brasil é um lugar onde as pessoas atrasam por excelência. No Japão, isso é considerado falha de caráter." Já a mesa precisa ter dois metros de largura, para que Naruhito fique distante de quem estiver à sua frente. "Não é uma mesa de pizzaria, que a gente conversa com quem está na frente. A conversa dele com os vizinhos deve ser reservada."
Outro resultado das aulas foi uma mudança no uniforme que a equipe de cerimonial usaria. Todos levariam uma camélia presa à lapela dos terninhos, porém Toyoda disse que a flor é símbolo de má sorte no Japão, por "morrer no pé". A solução foi encomendar algumas flores de cerejeira, símbolo do Japão.
O rigor do protocolo ficou claro na discussão sobre qual bandeira deveria marcar os carros do comboio que levará o príncipe do Sambódromo para o Palácio dos Bandeirantes. Cláudia conta que Naruhito tem estandarte próprio e que, por isso, houve dúvida se esse estandarte deveria enfeitar os carros ou se poderia ser a bandeira do Japão. Só depois do parecer da Casa Imperial Japonesa veio o veredicto: ficou a bandeira nacional.
"Há quem diga que mesmo no Japão, hoje, [o protocolo] não é tão rigoroso assim. Mas, em se tratando de uma autoridade como essa, nos atemos à tradição."
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