Cotidiano
12/06/2008 - 22h47

Interpol é informada sobre roubo em museu de SP; polícia alerta portos e aeroportos

da Folha Online

A Interpol (polícia internacional), que organiza um banco de peças roubadas consultado em todo o mundo, foi comunicada sobre o assalto à Estação Pinacoteca, na Luz (centro de São Paulo). Nesta quinta-feira, três homens levaram duas obras de Pablo Picasso (1881-1973), um óleo sobre tela do brasileiro Di Cavalcanti (1897-1976) e um guache sobre cartão do lituano radicado no Brasil Lasar Segall (1891-1957). O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) realizou o comunicado.

O Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), responsável pelas investigações do roubo, avisou à Polícia Federal, portos e aeroportos para evitar que os trabalhos roubados deixem o país.

Circuito de segurança flagra ação de assaltantes; veja imagens

As obras pertencem à Fundação José e Paulina Nemirovsky e estavam em uma sala, designada somente para obras da instituição, que fica no segundo andar do prédio.

Rubens Cavallari/Folha Imagem
Retratos falados de dois dos homens que roubaram obras de Picasso, Segall e Di Cavalcanti, na Estação Pinacoteca, em SP
Retratos falados de dois dos homens que roubaram obras de Picasso, Segall e Di Cavalcanti, na Estação Pinacoteca, em SP

Os assaltantes levaram cerca de dez minutos para roubar as obras. Eles entraram no prédio após as 12h, renderam uma atendente, que ficou deitada no chão sob a mira de uma arma, desparafusaram as gravuras de Picasso --eles carregavam chaves de fenda-- e pegaram as demais telas, segundo o Deic. O trio teria fugido a pé. Nenhum funcionário do prédio tentou seguir os assaltantes.

A polícia elaborou um retrato-falado dos suspeitos com a ajuda dos funcionários que foram rendidos pelos criminosos. Imagens do momento do roubo, gravadas pelo circuito interno de câmeras do prédio ajudarão nas investigações da polícia.

Todas as peças roubadas do patrimônio nacional constam no site Iphan. Denúncias anônimas podem ser feitas pelo telefone 0/xx/21/2262-1971, fax 0/xx/21/2524-0482, ou pelo e-mail bcp-gemov@iphan.gov.br.

Importância

"O Di Cavalcanti é uma obra extremamente valiosa e preciosa para a história da arte brasileira. É uma obra da década de 20, chama-se "Mulheres na Janela' e é de uma fase muito importante do começo do modernismo", disse a diretora técnica e curadora da Fundação José e Paulina Nemirovsky, Maria Alice Milliet.

Reprodução
Ladrões levam obras de Segall e Di Cavalcanti (acima) e de Picasso (abaixo)
Ladrões levam obras de Segall e Di Cavalcanti (acima) e de Picasso (abaixo)

Também nesta quinta, o secretário de Estado da Cultura, João Sayad, afirmou que a Estação Pinacoteca, assim como todos os museus do Estado, não possui detector de metais ou seguranças armados. O acervo da fundação, de 200 peças, está distribuído em diversos estabelecimentos no Estado.

Para a curadora, a questão da segurança nos museus é muito relativa. "Ninguém, em nenhum lugar, está absolutamente seguro. Não posso dizer que estou tranqüila. Tenho apreensão porque é uma grande responsabilidade zelar por isso [acervo]", afirmou a curadora.

Segundo Milliet, a obra de Di Cavalcanti é avaliada em aproximadamente US$ 500 mil (R$ 815 mil). Não é a obra mais valiosa de toda a Pinacoteca. Segundo ela, as obras da modernista Tarsila do Amaral são consideradas as mais valiosas da instituição.

"Polícia se mostrou competente em resolver o problema do Masp. Embora se possa apontar falhas eventuais na segurança, mas nós temos um sistema eficiente de câmeras e isso é uma pista muito forte", disse Milliet.

Comentários dos leitores
nelson graubart (1) 13/06/2008 13h55
nelson graubart (1) 13/06/2008 13h55
SAO PAULO / SP
ter sido visto um dia antes não ajuda em nada.
Quero vê-lo um dia depois.
Não entendo os sistemas de segurança de um museu tido como o melhor em segurança.
Ridículo
sem opinião
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almir inacio da silva (17) 13/06/2008 10h23
almir inacio da silva (17) 13/06/2008 10h23
Meu caro profissional LUIS KAWAGUTI, gostaria de informar-lhe que pela leitura da vossa tão bonita reportagem, vemos algumas "anomalias" juridicas para enfatizar a notícia. Fomos informados por você mesmo que o crime se trata de um furto, e depois você diz que foi roubo e depois por fim, você me diz que um assaltante esteve no local dias atrás. Se foi furto, não foi roubo e se foi assalto não foi furto. Dá para olhar um pouquinho na modalidade culposa para não cometer "furinhos" como estes? 16 opiniões
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porfirio sperandio (318) 13/06/2008 08h51
porfirio sperandio (318) 13/06/2008 08h51
BRAGANCA PAULISTA / SP
OCULOS E GORRO
Os Caras nao param de assistir Indiana Jones.
Spielberg deveria ser acionado na Justica de Haia por promover esses roubos milionarios. Ora no peru, ora no mexico e recentemente costa rica .
E ainda aplaudimos seus filmes: Ladroes de obra arte - antes vinham com chicote e chapeu, agora usam oculos e um gorro !
13 opiniões
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