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Cotidiano
14/06/2008 - 08h47

Pinacoteca pediu, em 2006, verba para melhorar segurança

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ARTUR RODRIGUES
do Agora
LUÍS KAWAGUTI
da Folha de S.Paulo

A Pinacoteca do Estado, que administra o museu Estação Pinacoteca, onde foram roubadas quatro obras anteontem à luz do dia, já havia detectado problemas de segurança desde setembro de 2006. Na época, por meio da Associação de Amigos da Pinacoteca do Estado, foi encaminhado ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) um projeto para melhorias no esquema de proteção ao acervo dos edifícios, localizados na região central de São Paulo.

A verba de R$ 490 mil, destinada à "ampliação e modernização dos sistemas de segurança nos edifícios da Pinacoteca do Estado", começará ser liberada a partir do mês que vem. O valor corresponde a metade do prejuízo com os roubos das obras "Mulheres na Janela" (1926), de Di Cavalcanti, "Casal" (1919), de Lasar Segall, "O Pintor e seu Modelo" (1963) e "Minotauro, Bebedor e Mulheres" (1933), ambas de Pablo Picasso. As obras foram emprestadas ao museu pela Fundação José e Paulina Nemirovsky.

O BNDES informou que o tempo transcorrido desde o envio do projeto até a liberação do dinheiro é padrão, já que 213 propostas foram analisadas. Apenas 28 foram escolhidas. Da verba de R$ 6 milhões destinada pelo BNDES a museus do país, a fatia destinada à Pinacoteca é a maior. O museu estadual foi o único na cidade de São Paulo a fazer o pedido para melhoria de segurança em 2006.

Segundo o diretor da Pinacoteca, Marcelo Araújo, a verba que o museu possui hoje para a segurança é adequada. "O museu tem os recursos que até hoje foram considerados adequados para as questões de segurança", disse ele.

Seguranças

Ontem a Estação Pinacoteca reabriu ao público às 10h com alterações no sistema de segurança, segundo Araújo.

"Posso garantir que procedimentos foram revistos, discutidos e aprimorados. O museu está mais preparado para lidar com a questão", disse.

Contudo, a única mudança visível era o fechamento da porta da cafeteria, que dá acesso ao estacionamento --por onde os três criminosos conseguiram escapar levando as quatro obras de arte na quinta-feira.

Araújo não deu detalhes sobre o novo esquema de segurança e afirmou que não foram contratados mais monitores ou seguranças para trabalhar no local. Atualmente, a segurança do edifício é feita por seis vigilantes e 25 monitores.

Segundo ele, o roubo das obras fez a Estação Pinacoteca estudar a futura contratação de seguranças armados para vigiar as entradas do edifício.

As novas medidas de segurança não devem afetar o atendimento dos visitantes. "Não acreditamos que o museu deva ser visto como um espaço de exclusão, com barreiras de acesso", disse Araújo.

 

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