Ao menos 21 militares foram processados por pederastia nos últimos dez anos
da Folha Online
Nos últimos dez anos, ao menos 21 militares foram processados por fazerem sexo homossexual em dependências das Forças Armadas. O dado leva em conta os casos que chegaram ao Superior Tribunal Militar. Mas o número pode ser maior, porque não foram considerados os casos que passaram apenas por instâncias inferiores, informa reportagem de Angela Pinho e Johanna Nublat publicada neste sábado (14) pela Folha de S.Paulo (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).
O crime de "pederastia" ou "outro ato de libidinagem" em dependências militares está previsto no artigo 235 do Código Penal Militar, de 1969. Segundo a norma, o crime consiste em "praticar, ou permitir o militar que com ele [militar] se pratique, ato libidinoso, homossexual ou não, em lugar sujeito a administração militar". A pena prevista é de seis meses a um ano de prisão.
A maior parte dos processos vistos pela reportagem cita apenas a palavra "pederastia" do artigo da lei, sem falar em "ato de libidinagem". Em alguns deles, há descrições detalhadas dos atos sexuais praticados em alojamentos, piscinas de dependências militares e quartéis.
O Exército prendeu na sexta-feira (13), em Brasília, o sargento Fernando de Alcântara Figueiredo, um dos militares que revelaram sua homossexualidade à revista "Época". Seu companheiro, o também sargento Laci Marinho de Araújo, havia sido preso sob acusação de ter desertado. A primeira prisão ocorreu depois que os dois falaram de seu relacionamento no programa "Superpop", da RedeTV!.
Figueiredo foi preso por volta das 12h, no Hospital do Exército de Brasília, onde é lotado. Diferentemente do seu companheiro, que é acusado de crime militar, Figueiredo responde por desrespeito a normas disciplinares.
"Pode ter certeza que expor em rede nacional a imagem da instituição Exército brasileiro foi uma situação que foi considerada [na punição]. Se você aparecer em rede nacional, mal trajado, representando a sua empresa, tenha certeza de que você vai ser sancionado", disse à Folha Online o tenente-coronel Valber Pinheiro, assessor de imprensa do Exército.
Figueiredo é acusado de aparecer em público com roupas inadequadas --as camisas camufladas-- e de viajar sem autorização no dia 3 para participar do "Superpop". As transgressões, segundo o Exército, são punidas internamente sob responsabilidade do comandante do batalhão, baseados em leis militares.
O caso também é acompanhado pelo Condepe (Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana), que entregou um dossiê com as supostas perseguições sofridas por ambos no meio militar. O dossiê contém também laudos médicos atestando problemas psiquiátricos, como transtorno bipolar, dos quais o sargento Araújo sofreria. O Exército nega a hipótese.
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