Cabral chama de "marginais" militares suspeitos de entregar jovens a traficantes
da Folha Online
O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), chamou de "marginais" os militares do Exército suspeitos de participação na morte de três jovens do morro da Providência (centro). Eles são acusados de entregar as vítimas, na manhã de sábado (14), a traficantes do morro da Mineira, controlado pela facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), que é rival do CV (Comando Vermelho), que controla a Providência.
A Justiça determinou a prisão, por dez dias, dos 11 militares suspeitos. Os militares suspeitos são um oficial, quatro sargentos e seis soldados, de acordo com a 4ª Delegacia de Polícia. Eles foram presos nesta manhã no quartel do Exército por policiais civis e levados para o 1º Batalhão da Polícia do Exército, na Tijuca (zona norte).
Cabral considerou o caso muito grave e disse que a Polícia Civil identificou e pediu à Justiça a prisão dos suspeitos. A declaração foi feita hoje em Berlim, na Alemanha, onde o governador está em missão oficial em busca de novos negócios para o Estado do Rio.
"A Polícia Civil atuou com firmeza no caso desses 11 'marginais' que não honraram a farda do Exército Brasileiro. Eles estão apenas travestidos com a farda, portanto devem ser tratados como criminosos", afirmou Cabral.
O governador disse acreditar que o presidente Lula e o Ministério da Defesa estejam acompanhando o caso.
"Temos que agir dentro da lei. Não é porque alguém tem a farda que deve ser protegido. É como agimos em relação a soldados e oficiais da Polícia Militar que cometem desvios", afirmou o governador do Rio.
Crime
Os jovens desapareceram no sábado, após serem abordados por militares em uma praça do morro da Providência e levados para um quartel do Exército. No sábado, familiares e moradores do morro protestaram ateando fogo em ônibus de vias próximas.
As investigações preliminares apontaram que os jovens sofreram agressões e foram assassinados pelos traficantes antes de serem despejados em uma caçamba de lixo no Caju --zona portuária--, mais tarde recolhida ao aterro sanitário em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
A decisão da Justiça foi decretada na noite de ontem (16) no plantão judiciário do Rio pela juíza Regina Lúcia de Castro Lima, informou o TJ (Tribunal de Justiça do Rio). Os mandados de prisão, segundo o TJ, foram entregues na manhã desta segunda-feira ao delegado da 4ª Delegacia de Polícia (Central), Ricardo Domingues, que havia pedido ontem a prisão temporária dos militares. Os nomes dos militares não foi divulgado.
O Exército ocupa o morro da Providência desde dezembro de 2007 para garantir a segurança de obras. O projeto é realizado com dinheiro repassado pelo Ministério das Cidades, que consiste na reforma de fachadas e telhados da favela. O Exército é o executor do projeto.
Exército
O CML (Comando Militar do Leste) informou que foi instaurado um inquérito policial militar para apurar o desaparecimento e morte dos três jovens. A assessoria de imprensa do comando informou, no entanto, que o Exército não vai se pronunciar sobre as investigações realizadas pela Polícia Civil e sobre o pedido de prisão de 11 militares.
Com Folha de S.Paulo
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