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Cotidiano
16/06/2008 - 20h37

Após enterro de jovens, militares e moradores de morro entram em confronto no Rio

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Colaboração para a Folha Online, no Rio

Soldados do Exército e moradores do morro da Providência (centro do Rio) entraram em confronto no final da tarde desta segunda-feira. Após participar do enterro de três moradores do morro, os moradores promoveram um protesto em frente ao prédio do Comando Militar do Leste, também no centro. Militares são suspeitos de entregar as vítimas a traficantes do morro da Mineira, controlado pela facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), que é rival do CV (Comando Vermelho), que controla a Providência.

Durante o protesto, soldados do Exército arremessaram bombas de efeito moral contra cerca de 400 manifestantes. Ao menos um homem foi preso.

Rafael Andrade/Folha Imagem
Após enterro de três jovens do morro da Providência, moradores protestam e entram em confronto com militares no Rio
Após enterro de três jovens do morro da Providência, moradores protestam e entram em confronto com militares no Rio

Para conter os manifestantes, cerca de 200 soldados, com escudos, fizeram um cordão de isolamento ao prédio. Quando os moradores se aproximaram da entrada, os soldados atiraram as bombas de efeitos moral, segundo a PM (Polícia Militar), que acompanhou o protesto com cerca de cem policiais. Ainda de acordo com a PM, os manifestantes jogaram pedras contra os militares.

Vias próximas ao prédio foram parcialmente interditadas com a confusão. A avenida Marechal Floriano ficou bloqueada para a passagem de veículos. Não há registros de feridos com gravidade durante o protesto.

Mortes

David Wilson Florêncio da Silva, 24, Wellington Gonzaga Costa, 19, e Marcos Paulo da Silva, 17, haviam desaparecido no sábado, após serem abordados por militares em uma praça do morro da Providência e levados para um quartel do Exército. Os jovens foram encontrados mortos domingo (15) no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias (na Baixada Fluminense).

Segundo a polícia, os rapazes foram entregues por militares para traficantes do morro da Mineira. As investigações preliminares apontaram que os jovens sofreram agressões e foram assassinados pelos traficantes antes de serem despejados no aterro.

A Justiça determinou a prisão, por dez dias, dos 11 militares suspeitos --um oficial, quatro sargentos e seis soldados. Eles foram presos na manhã desta segunda e levados para o 1º Batalhão da Polícia do Exército, na Tijuca (zona norte).

"Marginais"

Nesta segunda, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), chamou de "marginais" os militares do suspeitos de participação nas mortes.

"A Polícia Civil atuou com firmeza no caso desses 11 'marginais' que não honraram a farda do Exército Brasileiro. Eles estão apenas travestidos com a farda, portanto devem ser tratados como criminosos", afirmou Cabral em Berlim, na Alemanha, onde está em missão oficial em busca de novos negócios para o Estado do Rio.

Exército

Em nota, o CML (Comando Militar do Leste) disse nesta segunda-feira que repudia o ato de que 11 militares são suspeitos. "O Exército repudia, veementemente, qualquer desvio de conduta e qualquer ação fora da legalidade praticada por seus integrantes", diz a nota.

No fim de semana, o CML informou que foi instaurado um inquérito policial militar para apurar o desaparecimento e morte dos três jovens.

Também nesta segunda, o Exército negou que tenha feito uso de violência e que tenha implantado toque de recolher no morro da Providência, conforme relataram moradores. Segundo a denúncia, os militares que ocupam a favela desde dezembro do ano passado agem com violência e truculência contra a população local.

O Exército também afirmou que continuará a ocupação na favela até, ao menos, dezembro deste ano, prazo inicial para o fim das obras no local.

Com Folha de S.Paulo

 

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