Moradores paralisam obras no morro da Providência, no Rio
LUISA BELCHIOR
colaboração para a Folha Online
As obras do projeto Cimento Social, que o Ministério das Cidades promove no morro da Providência, centro do Rio, amanheceram paralisadas nesta terça-feira. Ontem, moradores do local que trabalham nas obras disseram que iriam parar em protesto à permanência do Exército na favela e a morte de três moradores entregues a traficantes do morro da Mineira no sábado (14).
O Exército, porém, permanece no morro nesta terça-feira, com cerca de 200 homens armados, tanques e caminhões. Dentro da favela, o clima ainda é tenso. Poucas pessoas circulam pelas ruas e becos, e as crianças estão sendo mantidas dentro de casa. As escolas e o comércio, contudo, funcionam normalmente.
Durante a noite, segundo moradores da favela, soldados do Exército contaram letras de funk e beberam, comemorando a permanência. Nenhum morador quis se identificar.
O Cimento Social promove reformas nas casas dos moradores e deve terminar em dezembro desse ano. Os militares foram deslocados ao morro justamente para cuidar da segurança durante o programa.
Encontro
Nesta manhã, líderes comunitários da Providência, as mães dos três jovens mortos e representantes de entidades de Direitos Humanos se reúnem com o general Mauro Cesar Cid, comandante da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada do Exército para discutir a permanência dos militares na favela.
A reunião acontece no quartel do Exército que fica ao lado do morro da Providência e para onde os três jovens mortos foram levados no sábado por militares antes de serem entregues, no morro da Mineira, a traficantes da facção ADA (Amigos dos Amigos). O grupo é rival do CV (Comando Vermelho), que controla a Providência.
Na reunião, os moradores pedem a retirada das tropas. Ontem, no entanto, em nota, o CML (Comando Militar do Leste) afirmou que seus homens permenecerão na Providência até pelo menos dezembro desse ano.
Crime
David Wilson Florêncio da Silva, 24, Wellington Gonzaga Costa, 19, e Marcos Paulo da Silva, 17, foram entregues pelos militares aos traficantes. No dia seguinte, seus corpos foram encontrados no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias (Grande Rio).
O Exército deteve o grupo devido a um suposto desacato. Os três foram levados a um oficial, que determinou a liberação deles. Segundo a Polícia Civil, o tenente Vinícius Ghidetti de Moraes Andrade, não ficou satisfeito e resolveu entregá-los aos traficantes.
Leia mais
- Oficial planejou entregar jovens a traficantes rivais, diz polícia do Rio
- Após enterro de jovens, militares e moradores de morro entram em confronto no Rio
- Tenente é um dos militares presos por morte de jovens no Rio, diz polícia
- Exército instaura inquérito para apurar morte de jovens no Rio
- Polícia prende 4 supostos milicianos no Rio; ex-PM está entre os detidos
- Polícia prende dois suspeitos de atirar bomba contra delegacia no Rio
Livraria da Folha
- Livro mostra como a violência urbana no Brasil afeta seu dia-a-dia e aponta soluções
- Guerra urbana do Rio é cenário do livro que originou "Tropa de Elite"
- Entenda como funciona o narcotráfico, do varejo na periferia às multinacionais; leia capítulo
- Caco Barcellos relata episódios de violência policial no best-seller "Rota 66"
Especial


avalie fechar
avalie fechar
avalie fechar