Exército deve reduzir número de homens e sair do morro da Providência
LUISA BELCHIOR
colaboração para a Folha Online
O Exército vai reduzir o número de militares que fazem segurança das obras do Ministério das Cidades no morro da Providência e vai decidir, até quinta-feira (19), se desocupa ou permanece no morro. Em contrapartida, moradores que trabalham nas obras vão retomar, em caráter emergencial, os trabalhos que amanheceram parados hoje.
O acordo foi firmado em reunião esta manhã entre o general Mauro Cesar Cid, líderes comunitários e as mães dos três jovens que foram mortos depois de terem sido entregues por militares aos traficantes do morro da Mineira, segundo a presidente da associação de moradores local, Vera Melo, e com o advogado das vítimas, João Tancredo.
O tenente identificado como Vinícius Ghidetti Andrade de Moraes comandou a entrega dos jovens aos traficantes, de acordo com a Polícia Civil. Ele confessou o crime ontem em depoimento, de acordo com o delegado Ricardo Dominguez, da 4ª DP.
Pelo acordo, os operários das obras --a maioria moradores do morro-- retomarão nesta tarde as reformas de cerca de dez casas que estão com os telhados abertos. "Temos dez casas sem telhados e isso está prejudicando os moradores delas. Então decidimos retomar as obras só para consertá-la", disse Melo.
O general Cid, segundo Melo, afirmou que conversaria com o comandante do Exército em Brasília e pediu um prazo até esta quinta-feira para comunicar se as tropas permanecerão ou não na Providência. Caso os militares continuem a ocupação, os moradores pararão definitivamente, segundo a líder.
Os representantes do Exército, na reunião, pediram desculpas formais às mães do mortos, segundo os advogados da vítimas, João Tancredo.
Crime
David Wilson Florêncio da Silva, 24, Wellington Gonzaga Costa, 19, e Marcos Paulo da Silva, 17, foram entregues pelos militares aos traficantes. No dia seguinte, seus corpos foram encontrados no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias (Grande Rio).
O Exército deteve o grupo devido a um suposto desacato. Os três foram levados a um oficial, que determinou a liberação deles. Segundo a Polícia Civil, o tenente Vinícius Ghidetti de Moraes Andrade, não ficou satisfeito e resolveu entregá-los aos traficantes do morro da Mineira pertencentes à ADA (Amigos dos Amigos), facção rival do CV (Comando Vermelho), que domina a Providência.
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