Jobim visita Providência para conhecer obras e ação do Exército no morro
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, está no morro da Providência, na região central do Rio, para conhecer de perto o projeto Cimento Social, que tem a execução sob a responsabilidade do Exército, e saber como é a ação dos militares na favela. As obras são realizadas em esquema de mutirão pelos moradores da favela e são monitoradas pelo Exército, responsável também pela segurança do projeto.
Jobim, assim como o comandante do Exército, Enzo Peri, estão no Rio para acompanhar de perto as investigações sobre a ação dos 11 militares acusados de entregar os três jovens do morro da Providência aos traficantes do morro da Mineira.
A favela da Mineira é controlada pela facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), rival do CV (Comando Vermelho), que controla o morro da Providência. Os três rapazes entregues aos traficantes foram mortos e seus corpos jogados em um aterro sanitário.
Na manhã desta terça, Peri e o chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste, general Mário Matheus de Paula Madureira, se reuniram com as famílias dos jovens mortos e pediram desculpas às mães dos rapazes.
As obras do projeto estão paralisadas desde a segunda-feira (16) em protesto contra a presença do Exército no morro. Os moradores acusam os militares de agir com truculência e de impor o toque de recolher na favela.
Hoje, um acordo foi firmado durante uma reunião entre o general Mauro Cesar Cid, líderes comunitários e as mães dos três jovens. O general Cid firmou um compromisso de conversar com o comando do Exército em Brasília e pediu um prazo até esta quinta-feira (19) para comunicar se as tropas permanecerão ou não no morro da Providência. Caso os militares continuem a ocupação, os moradores pararão definitivamente as obras, segundo moradores.
O Ministério das Cidades repassou R$ 1,9 milhão ao Ministério da Defesa para a realização das obras, que consiste na elaboração do projeto básico; execução e fiscalização das obras; revitalização das fachadas e telhados; além da segurança das áreas das obras.
As obras começaram há seis meses e 50 das 682 casas que serão beneficiadas já estão prontas. O objetivo do projeto prevê a aplicação de argamassa e pintura externas para proteção das construções da estrutura das casas, que geralmente ficam expostas sujeitas à ação do tempo, que desgasta a alvenaria.
Crime
David Wilson Florêncio da Silva, 24, Wellington Gonzaga Costa, 19, e Marcos Paulo da Silva, 17, foram entregues pelos militares aos traficantes. No dia seguinte, seus corpos foram encontrados no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias (Grande Rio).
O Exército deteve o grupo devido a um suposto desacato. Os três foram levados a um oficial, que determinou a liberação deles. Segundo a Polícia Civil, o tenente Vinícius Ghidetti de Moraes Andrade, não ficou satisfeito e resolveu entregá-los aos traficantes do morro da Mineira.
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