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Cotidiano
17/06/2008 - 18h25

Jobim pede a militares tolerância com população do morro da Providência

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LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, discursou nesta terça-feira aos militares que atuam no morro da Providência, região central do Rio, e pediu tolerância. Jobim quer compreensão por parte dos militares que atuam no morro, principalmente diante das possíveis manifestações de revolta dos moradores. Onze militares foram presos sob suspeita na participação da morte de três jovens da comunidade.

Após realizar uma visita de ao menos 25 minutos pelo morro --acompanhado de 40 soldados e dez seguranças--, Jobim voltou a um quartel do Comando Militar do Leste, ao lado da Providência. Cerca de 250 militares foram reunidos para ouvir o pronunciamento do ministro. Ao menos 200 militares atuam no morro para acompanhar a execução do projeto Cimento Social, além de fazer a segurança das obras. Depois de discursar para o batalhão, Jobim voltou ao morro.

"Tenho absoluta confiança de que os senhores não se farão contaminar pelos fatos que ocorreram nos últimos dias. O que os colegas dos senhores fizeram será julgado e punido pela Justiça", afirmou Jobim no discurso.

Durante o discurso o ministro afirmou não haver mais dúvidas sobre o caso. "Não houve falta de comando. O que houve foi desvio de conduta e isso não vai mais se repetir", disse o ministro.

Jobim disse que as obras continuam, mas não quis falar se a ocupação do Exército no morro continua. Os moradores do morro, que realizam o projeto em mutirão, paralisaram as obras desde ontem (16), em protesto pela presença dos militares na comunidade.

Além da participação na morte dos rapazes, os militares que ocupam o morro são acusados pelos moradores de agirem com violência e de impor o toque de recolher.

Hoje pela manhã, o comandante do Exército, Enzo Peri e o chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste, general Mário Matheus de Paula Madureira, se reuniram com as famílias dos jovens mortos e pediram desculpas às mães dos rapazes.

Café amargo

Escoltado por cerca de 40 soldados e dez seguranças Jobim andou por vielas do morro da Providência e entrou em lajes das construções do projeto Cimento Social.

O ministro também visitou a casa da dona-de-casa Sueli Ribeiro, 58, tia de Wellington Gonzaga Costa, 19, um dos rapazes mortos, onde tomou um café --sem açúcar.

"Disse para ele dos abusos do Exército aqui dentro e ele disse que para a gente ficar tranqüilo, que já estavam tomando providências", disse ela. "Ele tomou café sem açúcar, café de pobre".

No fim da visita, Jobim se reuniu na associação de moradores, com líderes comunitários e familiares dos mortos. A reunião foi fechada para a imprensa.

Wellington, David Wilson Florêncio da Silva, 24, e Marcos Paulo da Silva, 17, foram entregues pelos militares aos traficantes do morro da Mineira, controlada pela facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), rival do CV (Comando Vermelho), que controla o morro da Providência. Os três rapazes entregues aos traficantes foram mortos e seus corpos jogados em um aterro sanitário.

Comentários dos leitores
o que que nós contribuintes que trabalhamos 5 meses para pagar impostos mais um dia de contribuiçao sindical imposta, temos a ver com erros de policia,não basta o ziraldo e outros ganharem mais de 100 milhoes por serem perseguidos politicos,eu não lembro disto na epoca eles não saiam da praia de copacabana 2 opiniões
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antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
Sr Joel Cajazeira...tal comentário mostra que o sr. faz questão de representar bem seu sobrenome, pelo menos pela série Bem Amado..das irmãs cajazeiras, que eram hilárias, tal qual seu comentário. Qual crime cometeu o representante do Exército? Todos que possamos imaginar. Desde uma detenção arbitrária, que fizeram. Julgar-se autoridade acima do bem e do mal,pois sentiram-se ofendidos e tinham que dar um castigo nos jovens. Julgamento sumário de que eram bandidos e tinham que ser entregues a algozes ( estes sim bandidos declarados ) para serem executados. Ou será que ele ( tenente ) achou que os carrascos iriam levar os jovens apenas para um passeio. Ligação suspeita dos militares com este bando ( que dizem ser de traficantes ), que parecem manter política da boa vizinhança entre si..... Portanto, motivos não faltam para que um juiz os condene demodo exemplar, para expurgar estas atitudes de nossa sociedade.E que a Aman possa se refazer da vergonha em que foi exposta, por preparar OFICIAIS com este pensamento do tenente que comandou esta operação. E quanto a ensinar táticas de guerra aos bandidos, pela amizade mantida. ele já deveria estar fazendo, pela tranqüilidade em que se moveram pelo morro. Lamentável seu comentário sr Joel. A JUSTIÇA não pode ver quem cometeu o crime, mas sim julgar corretamente quem o praticou. 7 opiniões
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richardson leao (28) 15/08/2008 06h56
richardson leao (28) 15/08/2008 06h56
Isso o exercito brasileiro faz bem... suportou e cometeu tortura no passado e suporta e comete tortura no presente... 4 opiniões
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