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Cotidiano
17/06/2008 - 20h47

Jobim pede desculpas às mães dos mortos, mas não garante retirada de Exército

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LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

Em discurso a moradores do morro da Providência (centro do Rio) nesta terça-feira, na quadra onde os três jovens foram detidos pelos militares que os entregaram a traficantes do morro da Mineira, o ministro Nelson Jobim (Defesa) pediu desculpas às mães dos rapazes. Após visitar as obras do projeto Cimento Social e falar para os militares no quartel do Exército, Jobim retornou à comunidade no início da noite.

Na quadra Américo Brum, no alto do morro, Jobim pediu também que os moradores confiem nos militares que ocupam a comunidade e na autoridade do general Mauro Cesar Cid, comandante da equipe do Exército que faz a segurança das obras do projeto.

"Vamos arranjar uma forma de convivência possível [entre os militares e os moradores]", afirmou o ministro, após ouvir crianças do morro cantarem o hino nacional brasileiro. Ao fim do discurso, o ministro saiu aos gritos de "fora Exército", mas não garantiu a saída das tropas.

Ricardo Moraes/AP
Ministro Nelson Jobim abraça mãe de um dos três jovens mortos no Rio. Militares são acusados de entregar rapazes a traficantes
Ministro Nelson Jobim abraça mãe de um dos três jovens mortos no Rio. Militares são acusados de entregar rapazes a traficantes

Os moradores do morro fizeram nesta terça-feira um abaixo-assinado pedindo a retirada dos militares e, segundo a associação de moradores, já havia reunido cerca de 500 assinaturas até o fim da tarde. "O Exército não tem mais poder na comunidade, eles têm que tirar o Exército", disse o morador Nelson Gomes, 34.

Antes de discursar para os moradores, Jobim falou a 250 militares no quartel do Exército do centro da cidade, onde ficam os homens que atuam na segurança da comunidade. Pediu a eles "tolerância, solidariedade e compreensão" nos próximos dias, quando, segundo ele, os militares devem ouvir expressões "de ódio, de raiva" dos moradores do morro.

"Há uma manifestação que vai atingir vocês, e vocês precisam entender que essas pessoas estão extravasando seu ódio, sua raiva, sua angústia. Mas são provocações que não podem ensejar nenhum tipo de reação. Há que ter tolerância e compreensão", discursou Jobim. "Mas tenho confiança de que vocês vão honrar a farda do Exército", disse o ministro.

Mais cedo, após participar de reunião na associação de moradores, Jobim disse que o crime cometido pelos militares "não pode contaminar o que está acontecendo na comunidade, que são as obras". "Não podemos confundir os fatos. Uma coisa foi o crime que repudiamos, outra são as obras".

Crime

Onze militares estão presos desde ontem (16) acusados de participarem da morte de três jovens do morro da Providência.

David Wilson Florêncio da Silva, 24, Wellington Gonzaga Costa, 19, e Marcos Paulo da Silva, 17, foram entregues pelos militares aos traficantes do morro da Mineira, controlado pela facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), rival do CV (Comando Vermelho), que controla o morro da Providência.

Os corpos dos rapazes foram encontrados no dia seguinte, no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias (Grande Rio).

O Exército deteve o grupo devido a um suposto desacato. Os três foram levados a um oficial, que determinou a liberação deles. Segundo a Polícia Civil, o tenente Vinícius Ghidetti de Moraes Andrade, não ficou satisfeito e resolveu entregá-los aos traficantes do morro da Mineira.

Investigação

Jobim, assim como o comandante do Exército, Enzo Peri, estão no Rio para acompanhar de perto as investigações sobre a ação dos militares.

Hoje pela manhã, Peri e o chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste, general Mário Matheus de Paula Madureira, também pediram desculpas às mães dos rapazes.

O Exército ocupa o morro da Providência para acompanhar a execução do projeto Cimento Social, que é de sua responsabilidade. As obras são realizadas em esquema de mutirão pelos moradores da favela e são monitoradas pelo Exército, responsável também pela segurança do projeto.

Comentários dos leitores
o que que nós contribuintes que trabalhamos 5 meses para pagar impostos mais um dia de contribuiçao sindical imposta, temos a ver com erros de policia,não basta o ziraldo e outros ganharem mais de 100 milhoes por serem perseguidos politicos,eu não lembro disto na epoca eles não saiam da praia de copacabana 2 opiniões
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antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
Sr Joel Cajazeira...tal comentário mostra que o sr. faz questão de representar bem seu sobrenome, pelo menos pela série Bem Amado..das irmãs cajazeiras, que eram hilárias, tal qual seu comentário. Qual crime cometeu o representante do Exército? Todos que possamos imaginar. Desde uma detenção arbitrária, que fizeram. Julgar-se autoridade acima do bem e do mal,pois sentiram-se ofendidos e tinham que dar um castigo nos jovens. Julgamento sumário de que eram bandidos e tinham que ser entregues a algozes ( estes sim bandidos declarados ) para serem executados. Ou será que ele ( tenente ) achou que os carrascos iriam levar os jovens apenas para um passeio. Ligação suspeita dos militares com este bando ( que dizem ser de traficantes ), que parecem manter política da boa vizinhança entre si..... Portanto, motivos não faltam para que um juiz os condene demodo exemplar, para expurgar estas atitudes de nossa sociedade.E que a Aman possa se refazer da vergonha em que foi exposta, por preparar OFICIAIS com este pensamento do tenente que comandou esta operação. E quanto a ensinar táticas de guerra aos bandidos, pela amizade mantida. ele já deveria estar fazendo, pela tranqüilidade em que se moveram pelo morro. Lamentável seu comentário sr Joel. A JUSTIÇA não pode ver quem cometeu o crime, mas sim julgar corretamente quem o praticou. 7 opiniões
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richardson leao (28) 15/08/2008 06h56
richardson leao (28) 15/08/2008 06h56
Isso o exercito brasileiro faz bem... suportou e cometeu tortura no passado e suporta e comete tortura no presente... 4 opiniões
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