Cotidiano
17/06/2008 - 22h00

Lula determina que comissão apure crime contra jovens do morro da Providência

Colaboração para a Folha Online, no Rio

O governo federal anunciou nesta terça-feira a criação de uma comissão para acompanhar as investigações sobre a morte de três jovens do morro da Providência (centro do Rio), que, segundo a Polícia Civil, foram entregues por militares do Exército a traficantes do morro da Mineira (centro do Rio) --rivais de criminosos que atuam no morro da Providência.

Os jovens --David Wilson Florêncio da Silva, 24, Wellington Gonzaga Costa, 19, e Marcos Paulo da Silva, 17-- foram encontrados mortos no domingo (15) no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias (município da Baixada Fluminense), após manifestação de moradores do morro da Providência, que chegaram a incendiar ônibus no sábado (14) em protesto pelo sumiço dos rapazes. Ontem (16), três dos 11 militares presos acusados de terem entregue os moradores à traficantes da Mineira confessaram o crime, segundo a polícia.

Ricardo Moraes/AP
Ministro Nelson Jobim abraça mãe de um dos três jovens mortos no Rio. Militares são acusados de entregar rapazes a traficantes
Ministro Nelson Jobim abraça mãe de um dos três jovens mortos no Rio. Militares são acusados de entregar rapazes a traficantes

Em nota, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República afirmou que a comissão vai ao Rio para investigar o crime e acompanhar os inquéritos da Polícia Civil e do Exército sobre o caso. O grupo será integrado pelo presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cezar Britto, pela subprocuradora-geral da República e procuradora federal dos Direitos do Cidadão Gilda Pereira de Carvalho e pela professora de direito Flávia Piovesan.

Os membros vão "imediatamente" ao Rio e ficarão na cidade "o tempo que for necessário" para ouvir familiares das vítimas e moradores do morro da Providência, segundo a nota. Com as apurações, vão "avaliar a veracidade da versão divulgada pelas autoridades policiais, reforçando ou alterando os rumos de investigação".

A comissão será ligada ao Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da secretaria, e será acompanhada pelo ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos), informou a secretaria.

Em nota, a secretaria afirmou ainda estar seguindo "orientação expressa" do presidente Lula para atuar no caso.

Nesta terça, o ministro Nelson Jobim (Defesa) foi ao Rio por ordens do presidente. Ele esteve no morro da Providênca, onde pediu desculpas às mães das vítimas em discurso para os moradores no alto do morro, e, no quartel do Exército do centro do Rio, exigiu de 250 militares que o caso não se repita e pediu tolerância com os moradores.

Jobim afirmou ainda que as obras do projeto Cimento Social, no morro da Providência, para o qual o Exército faz a segurança desde dezembro de 2007, vão continuar. Os moradores fizeram abaixo-assinado pedindo a saída dos militares do morro com 500 assinaturas, segundo a associação de moradores.

Comentários dos leitores
antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
Sr Joel Cajazeira...tal comentário mostra que o sr. faz questão de representar bem seu sobrenome, pelo menos pela série Bem Amado..das irmãs cajazeiras, que eram hilárias, tal qual seu comentário. Qual crime cometeu o representante do Exército? Todos que possamos imaginar. Desde uma detenção arbitrária, que fizeram. Julgar-se autoridade acima do bem e do mal,pois sentiram-se ofendidos e tinham que dar um castigo nos jovens. Julgamento sumário de que eram bandidos e tinham que ser entregues a algozes ( estes sim bandidos declarados ) para serem executados. Ou será que ele ( tenente ) achou que os carrascos iriam levar os jovens apenas para um passeio. Ligação suspeita dos militares com este bando ( que dizem ser de traficantes ), que parecem manter política da boa vizinhança entre si..... Portanto, motivos não faltam para que um juiz os condene demodo exemplar, para expurgar estas atitudes de nossa sociedade.E que a Aman possa se refazer da vergonha em que foi exposta, por preparar OFICIAIS com este pensamento do tenente que comandou esta operação. E quanto a ensinar táticas de guerra aos bandidos, pela amizade mantida. ele já deveria estar fazendo, pela tranqüilidade em que se moveram pelo morro. Lamentável seu comentário sr Joel. A JUSTIÇA não pode ver quem cometeu o crime, mas sim julgar corretamente quem o praticou. sem opinião
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richardson leao (18) 15/08/2008 06h56
richardson leao (18) 15/08/2008 06h56
Isso o exercito brasileiro faz bem... suportou e cometeu tortura no passado e suporta e comete tortura no presente... 1 opinião
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Dilson Aquino (16) 31/07/2008 18h26
Dilson Aquino (16) 31/07/2008 18h26
O nome-de-guerra do bandido é Rupinol, uma corruptela carioca da droga "Rohypnol", um sedativo hipnótico. sem opinião
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