Lula determina que comissão apure crime contra jovens do morro da Providência
Colaboração para a Folha Online, no Rio
O governo federal anunciou nesta terça-feira a criação de uma comissão para acompanhar as investigações sobre a morte de três jovens do morro da Providência (centro do Rio), que, segundo a Polícia Civil, foram entregues por militares do Exército a traficantes do morro da Mineira (centro do Rio) --rivais de criminosos que atuam no morro da Providência.
Os jovens --David Wilson Florêncio da Silva, 24, Wellington Gonzaga Costa, 19, e Marcos Paulo da Silva, 17-- foram encontrados mortos no domingo (15) no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias (município da Baixada Fluminense), após manifestação de moradores do morro da Providência, que chegaram a incendiar ônibus no sábado (14) em protesto pelo sumiço dos rapazes. Ontem (16), três dos 11 militares presos acusados de terem entregue os moradores à traficantes da Mineira confessaram o crime, segundo a polícia.
| Ricardo Moraes/AP |
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| Ministro Nelson Jobim abraça mãe de um dos três jovens mortos no Rio. Militares são acusados de entregar rapazes a traficantes |
Em nota, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República afirmou que a comissão vai ao Rio para investigar o crime e acompanhar os inquéritos da Polícia Civil e do Exército sobre o caso. O grupo será integrado pelo presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cezar Britto, pela subprocuradora-geral da República e procuradora federal dos Direitos do Cidadão Gilda Pereira de Carvalho e pela professora de direito Flávia Piovesan.
Os membros vão "imediatamente" ao Rio e ficarão na cidade "o tempo que for necessário" para ouvir familiares das vítimas e moradores do morro da Providência, segundo a nota. Com as apurações, vão "avaliar a veracidade da versão divulgada pelas autoridades policiais, reforçando ou alterando os rumos de investigação".
A comissão será ligada ao Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da secretaria, e será acompanhada pelo ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos), informou a secretaria.
Em nota, a secretaria afirmou ainda estar seguindo "orientação expressa" do presidente Lula para atuar no caso.
Nesta terça, o ministro Nelson Jobim (Defesa) foi ao Rio por ordens do presidente. Ele esteve no morro da Providênca, onde pediu desculpas às mães das vítimas em discurso para os moradores no alto do morro, e, no quartel do Exército do centro do Rio, exigiu de 250 militares que o caso não se repita e pediu tolerância com os moradores.
Jobim afirmou ainda que as obras do projeto Cimento Social, no morro da Providência, para o qual o Exército faz a segurança desde dezembro de 2007, vão continuar. Os moradores fizeram abaixo-assinado pedindo a saída dos militares do morro com 500 assinaturas, segundo a associação de moradores.
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