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Cotidiano
18/06/2008 - 18h36

Justiça determina saída do Exército do morro da Providência

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LUISA BELCHIOR
da Folha Online, do Rio

A Justiça Federal, no Rio, determinou nesta quarta-feira a saída do Exército do morro da Providência, na região central da cidade. A juíza da 18º Vara Federal do Rio, Regina Coeli Medeiros de Carvalho, acatou pedido de liminar da Defensoria da União e determinou que, em caso de desobediência, a multa diária será de R$ 10 mil. A retirada das tropas deve ocorrer assim que o Exército foi notificado, o que acontecerá amanhã (19), segundo a Justiça.

A comunidade é ocupada por tropas desde dezembro de 2007 para fazer a segurança do projeto Cimento Social, do governo federal.

Com o episódio no qual militares que trabalham no morro Providência detiveram três jovens em uma praça na favela e depois os entregaram a traficantes do morro da Mineira (centro), que mataram os três, ficou evidente que o Exército exerce função de segurança pública na comunidade, para o autor da ação civil, o defensor André Ordacgy. Essas funções, segundo ele, não encontram respaldo na Constituição.

"Está mais do que claro que no morro da Providência o Exército faz funções de polícia. A Constituição atribui funções de segurança pública às Polícias Militar, Civil, Federal, Rodoviária Federal, Rodoviária Estadual e Corpo de Bombeiros. O Exército tem outra atribuição, não menos digna, que é a proteção da pátria, e desde 1999, atividades de apoio logístico, e obras de engenharia", declarou Ordacgy.

Os 11 militares suspeitos de entregarem os rapazes aos traficantes do morro da Mineira estão presos desde segunda-feira (16). Eles disseram à Polícia Civil que detiveram os jovens por desacato e os levaram ao quartel, onde um capitão os liberou. Supostamente liderados pelo tenente Vinícius Ghidetti de Moraes Andrade, os militares desobedeceram a ordem e levaram os jovens para o morro da Mineira, controlado pela ADA (Amigos dos Amigos), facção rival do CV (Comando Vermelho), que domina a Providência.

A abordagem feita pelos militares aos jovens, relatada pela polícia a partir de depoimentos dos próprios militares, ratifica, para o defensor, que o Exército exercia funções de polícia. "No momento que os jovens voltavam de uma festa era madrugada e não tinha nenhuma obra acontecendo. Ainda foram parados e revistados pelos militares, o que já é uma atitude típica de instituições autorizadas para funções de segurança pública".

O Comando Militar do Leste foi procurado pela reportagem, mas ainda não se manifestou sobre a decisão.

Também nesta tarde, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados aprovou relatório sobre o caso feito pelo deputado Chico Alencar (PSOL). O documento, segundo a Câmara, pede audiência pública com o ministro Nelson Jobim (Defesa), o comandante do Exército, Enzo Peri, e o delegado Ricardo Dominguez, que conduz as investigações, e exige o inquérito do Comando Militar do Leste sobre o caso.

Pediu, ainda, que os ministérios da Cidade e da Defesa forneçam cópias de todos os processos relacionados a convênios e licitações para obras no morro da Providência e a instalação, no Ministério Público Eleitoral, de investigação sobre possível uso eleitoral do Exército na Providência.

Comentários dos leitores
o que que nós contribuintes que trabalhamos 5 meses para pagar impostos mais um dia de contribuiçao sindical imposta, temos a ver com erros de policia,não basta o ziraldo e outros ganharem mais de 100 milhoes por serem perseguidos politicos,eu não lembro disto na epoca eles não saiam da praia de copacabana 2 opiniões
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antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
Sr Joel Cajazeira...tal comentário mostra que o sr. faz questão de representar bem seu sobrenome, pelo menos pela série Bem Amado..das irmãs cajazeiras, que eram hilárias, tal qual seu comentário. Qual crime cometeu o representante do Exército? Todos que possamos imaginar. Desde uma detenção arbitrária, que fizeram. Julgar-se autoridade acima do bem e do mal,pois sentiram-se ofendidos e tinham que dar um castigo nos jovens. Julgamento sumário de que eram bandidos e tinham que ser entregues a algozes ( estes sim bandidos declarados ) para serem executados. Ou será que ele ( tenente ) achou que os carrascos iriam levar os jovens apenas para um passeio. Ligação suspeita dos militares com este bando ( que dizem ser de traficantes ), que parecem manter política da boa vizinhança entre si..... Portanto, motivos não faltam para que um juiz os condene demodo exemplar, para expurgar estas atitudes de nossa sociedade.E que a Aman possa se refazer da vergonha em que foi exposta, por preparar OFICIAIS com este pensamento do tenente que comandou esta operação. E quanto a ensinar táticas de guerra aos bandidos, pela amizade mantida. ele já deveria estar fazendo, pela tranqüilidade em que se moveram pelo morro. Lamentável seu comentário sr Joel. A JUSTIÇA não pode ver quem cometeu o crime, mas sim julgar corretamente quem o praticou. 7 opiniões
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richardson leao (28) 15/08/2008 06h56
richardson leao (28) 15/08/2008 06h56
Isso o exercito brasileiro faz bem... suportou e cometeu tortura no passado e suporta e comete tortura no presente... 4 opiniões
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