Cotidiano
18/06/2008 - 19h22

Justiça determina saída do Exército de morro e sugere uso da Força Nacional

LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

A Justiça Federal determinou nesta quarta-feira a retirada do Exército do morro da Providência (centro do Rio). A decisão, da juíza Regina Coeli Medeiros, da 18ª Vara Federal, foi divulgada por volta das 18h30. Ela havia recebido o pedido de saída das tropas, horas antes, pela Defensoria Pública da União. A juíza estipulou ainda multa de R$ 10 mil diários no caso de descumprimento da determinação. A retirada das tropas deve ocorrer assim que o Exército for notificado, o que deve ocorrer na quinta-feira (19).

O Ministério da Defesa e o Exército não vão se manifestar sobre a decisão da Justiça antes da notificação oficial.

Na segunda-feira (16), 11 militares foram presos sob suspeita de participação na morte de três rapazes do morro da Providência. Os militares são suspeitos de entregarem os jovens para o morro da Mineira, controlado pela ADA (Amigos dos Amigos), facção rival do CV (Comando Vermelho), que domina a Providência. Os três foram mortos e seus corpos jogados em um aterro sanitário.

Na decisão, a juíza julga inconstitucional a presença do Exército no morro da Providência, afirma haver "inabilidade" e "despreparo" para a "garantia da lei e ordem no Estado do Rio de Janeiro" e pede o uso da Força Nacional de Segurança no lugar dos militares.

Para a juíza, a presença do Exército na Providência "contradiz os termos do artigo 144 da Constituição Federal, o qual atribui tal garantia aos órgãos que descreve, não havendo qualquer menção às Forças Armadas [...]". Os militares poderiam atuar no morro apenas "em caráter de auxílio na execução de obras e serviços de engenharia", conforme a lei complementar 97/99, complementou Coeli.

"Foi observada a inabilidade e o despreparo do Exército Brasileiro no desenvolvimento de seu mister relativamente à garantia da lei e da ordem no Estado do Rio, bem como sua atuação prática como verdadeira instituição de policiamento ostensivo, na medida em que descumpriu a orientação específica quando da apreensão de pessoas, infringindo os comandos normativos acima descritos", diz a decisão.

Para substituir os militares, a juíza aponta o emprego da Força Nacional de Segurança. "Saliente-se que tal retirada não pode prescindir do necessário policiamento local, a fim de salvaguardar a integridade dos colaborares do projeto e da comunidade, pelo que se revela como melhor alternativa a substituição dos militares por efetivo da Força Nacional de Tarefa, no intuito de garantir a continuidade das obras em andamento".

"Abominável"

O presidente Lula classificou hoje o episódio no morro da Providência como "abominável" e disse que o Estado tem de reparar as famílias dos rapazes. Ontem (17), o presidente determinou que uma comissão da Secretaria Especial de Direitos Humanos investigue o caso.

Na manhã de terça (17), o comandante do Exército, general Enzo Peri, e o chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste, general Mário Matheus de Paula Madureira, pediram desculpas às mães dos rapazes. No final da tarde, foi a vez do ministro Jobim se encontrar com as mães e apresentar seu pedido de desculpas.

A Câmara dos Deputados também pediu desculpas hoje aos moradores pela falta de legislação que regulamenta o uso das Forças Armadas em casos pontuais. A Casa instituiu uma comissão externa que vai apurar e acompanhar o caso no Rio.

Comentários dos leitores
o que que nós contribuintes que trabalhamos 5 meses para pagar impostos mais um dia de contribuiçao sindical imposta, temos a ver com erros de policia,não basta o ziraldo e outros ganharem mais de 100 milhoes por serem perseguidos politicos,eu não lembro disto na epoca eles não saiam da praia de copacabana sem opinião
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antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
Sr Joel Cajazeira...tal comentário mostra que o sr. faz questão de representar bem seu sobrenome, pelo menos pela série Bem Amado..das irmãs cajazeiras, que eram hilárias, tal qual seu comentário. Qual crime cometeu o representante do Exército? Todos que possamos imaginar. Desde uma detenção arbitrária, que fizeram. Julgar-se autoridade acima do bem e do mal,pois sentiram-se ofendidos e tinham que dar um castigo nos jovens. Julgamento sumário de que eram bandidos e tinham que ser entregues a algozes ( estes sim bandidos declarados ) para serem executados. Ou será que ele ( tenente ) achou que os carrascos iriam levar os jovens apenas para um passeio. Ligação suspeita dos militares com este bando ( que dizem ser de traficantes ), que parecem manter política da boa vizinhança entre si..... Portanto, motivos não faltam para que um juiz os condene demodo exemplar, para expurgar estas atitudes de nossa sociedade.E que a Aman possa se refazer da vergonha em que foi exposta, por preparar OFICIAIS com este pensamento do tenente que comandou esta operação. E quanto a ensinar táticas de guerra aos bandidos, pela amizade mantida. ele já deveria estar fazendo, pela tranqüilidade em que se moveram pelo morro. Lamentável seu comentário sr Joel. A JUSTIÇA não pode ver quem cometeu o crime, mas sim julgar corretamente quem o praticou. 6 opiniões
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richardson leao (20) 15/08/2008 06h56
richardson leao (20) 15/08/2008 06h56
Isso o exercito brasileiro faz bem... suportou e cometeu tortura no passado e suporta e comete tortura no presente... 2 opiniões
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