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Cotidiano
18/06/2008 - 20h45

Relatório confidencial do Exército deu respaldo à decisão da Justiça, diz defensor

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LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

Um relatório interno do Exército determina aos militares que atuam no morro da Providência (centro do Rio) que utilizem condutas de segurança pública no trabalho na favela, o que a Justiça condenou na noite desta quarta-feira. O documento deu origem levou a Defensoria Pública da União a entrar a ação civil, segundo o defensor público André Ordagcy. Uma liminar (decisão provisória) foi expedida pela juíza Regina Coeli, da 18ª Vara Federal do Rio, onde determina a saída do Exército do morro da Providência, assim que for notificado.

O relatório, de caráter confidencial, informa que a finalidade da presença do Exército no morro da Providência é de "manutenção da ordem e da segurança pública no Estado do Rio de Janeiro" e fornece uma série de instruções sobre funções de segurança aos militares. Na decisão da Justiça, a juíza afirma que, pela Constituição, não cabe às Forças Armadas o exercício da segurança pública.

O documento, assinado pelo general Williams Soares, é datado de dezembro de 2007, quando o Exército iniciou a ocupação no morro da Providência. Autoriza, por exemplo, as revistas em "suspeitos" e criminosos, o que, segundo o defensor André Ordagcy, é inconstitucional.

As prisões, contudo, só são autorizadas em caso de flagrante, o que não foi comprovado, segundo a polícia, no caso dos três jovens levados pelos militares para o Quartel do Exército do centro do Rio e, depois, entregues a traficantes do morro da Mineira (centro).

Em casos de "reprovação da presença da tropa" pelos moradores, o relatório recomenda "identificar lideranças e agitadores mais agressivos" e "deter os mais exaltados". Proíbe, contudo, os militares de reagir a "provocações verbais" mas, nestes casos, determina que eles revistem e detenham "os autores do desacato".

No comunicado, é liberado aos militares o poder de apreender "armas, munições e explosivos" e o uso de granadas ofensivas e atiradores.

"O caso concreto do que aconteceu com os três jovens ilustra que o Exército fazia emprego de funções de segurança pública, mas esse documento é importantíssimo porque ratifica isso", declarou o defensor público.

Os militares ficam incumbidos, pelo documento, de evitar a presença da imprensa em ocasiões em que houve pessoas mortas ou feridas por confrontos armados. Se houver manifestações ou "reuniões de oponentes visando bloquear via", é recomendado à tropa da Providência "realizar demonstração de força".

Procurado pela Folha Online, o Exército informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que só seria possível se pronunciar sobre o caso na quinta-feira (19).

Na segunda-feira (16), 11 militares foram presos sob suspeita de participação na morte de três rapazes do morro da Providência. Os militares são suspeitos de entregarem os jovens para o morro da Mineira, controlado pela ADA (Amigos dos Amigos), facção rival do CV (Comando Vermelho), que domina a Providência. Os três foram mortos e seus corpos jogados em um aterro sanitário.

Comentários dos leitores
o que que nós contribuintes que trabalhamos 5 meses para pagar impostos mais um dia de contribuiçao sindical imposta, temos a ver com erros de policia,não basta o ziraldo e outros ganharem mais de 100 milhoes por serem perseguidos politicos,eu não lembro disto na epoca eles não saiam da praia de copacabana 2 opiniões
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antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
Sr Joel Cajazeira...tal comentário mostra que o sr. faz questão de representar bem seu sobrenome, pelo menos pela série Bem Amado..das irmãs cajazeiras, que eram hilárias, tal qual seu comentário. Qual crime cometeu o representante do Exército? Todos que possamos imaginar. Desde uma detenção arbitrária, que fizeram. Julgar-se autoridade acima do bem e do mal,pois sentiram-se ofendidos e tinham que dar um castigo nos jovens. Julgamento sumário de que eram bandidos e tinham que ser entregues a algozes ( estes sim bandidos declarados ) para serem executados. Ou será que ele ( tenente ) achou que os carrascos iriam levar os jovens apenas para um passeio. Ligação suspeita dos militares com este bando ( que dizem ser de traficantes ), que parecem manter política da boa vizinhança entre si..... Portanto, motivos não faltam para que um juiz os condene demodo exemplar, para expurgar estas atitudes de nossa sociedade.E que a Aman possa se refazer da vergonha em que foi exposta, por preparar OFICIAIS com este pensamento do tenente que comandou esta operação. E quanto a ensinar táticas de guerra aos bandidos, pela amizade mantida. ele já deveria estar fazendo, pela tranqüilidade em que se moveram pelo morro. Lamentável seu comentário sr Joel. A JUSTIÇA não pode ver quem cometeu o crime, mas sim julgar corretamente quem o praticou. 7 opiniões
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richardson leao (28) 15/08/2008 06h56
richardson leao (28) 15/08/2008 06h56
Isso o exercito brasileiro faz bem... suportou e cometeu tortura no passado e suporta e comete tortura no presente... 4 opiniões
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