Ministério Público pede prisão de quatro militares envolvidos em mortes no Rio
Colaboração para a Folha Online, no Rio
O Ministério Público Militar pediu nesta quarta-feira à Justiça a prisão de 4 dos 11 militares detidos sob acusação de terem levado três jovens do morro da Providência (centro do Rio) para traficantes do morro da Mineira, onde os jovens foram mortos.
O pedido de prisão, segundo a Promotoria Militar, foi entregue no fim da tarde de hoje à Justiça Militar. Caso a Justiça aceite a ação, os quatro militares ficarão presos por mais 30 dias. Pela decisão atual, da Justiça comum, eles ficarão presos até o próximo dia 25.
Na ação, o órgão pede a prisão do tenente Vinícius Ghidetti --apontado pela polícia como o mandante da entrega dos jovens aos traficantes--, o sargento Leandro Bueno e os soldados José Ricardo Rodrigues Araújo e Fabiano Eloi dos Santos. Os quatro e outros sete militares já estão presos no Batalhão de Polícia Militar, na Tijuca (zona norte), desde segunda-feira (16), quando a Justiça comum determinou a prisão deles.
A decisão sobre o caso, segundo o MP militar, sairá até esta quinta (19). O órgão afirmou ainda que o pedido foi feito por haver fortes indícios do envolvimento dos quatro militares com o crime.
Exército
A Justiça Federal determinou nesta quarta a retirada do Exército do morro da Providência. O pedido foi feito pela Defensoria Pública da União.
Em sua decisão, a juíza Regina Coeli Medeiros, da 18ª Vara Federal, estipulou multa de R$ 10 mil diários no caso de descumprimento da determinação. A retirada das tropas deve ocorrer assim que o Exército for notificado, o que deve ocorrer na quinta-feira.
A juíza considera inconstitucional a presença do Exército no morro da Providência, afirma haver "inabilidade" e "despreparo" para a "garantia da lei e ordem no Estado do Rio de Janeiro" e pede o uso da Força Nacional de Segurança no lugar dos militares.
"Abominável"
O presidente Lula classificou hoje o episódio no morro da Providência como "abominável" e disse que o Estado tem de reparar as famílias dos rapazes. Ontem (17), o presidente determinou que uma comissão da Secretaria Especial de Direitos Humanos investigue o caso.
Na manhã de terça (17), o comandante do Exército, general Enzo Peri, e o chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste, general Mário Matheus de Paula Madureira, pediram desculpas às mães dos rapazes. No final da tarde, foi a vez do ministro Jobim se encontrar com as mães e apresentar seu pedido de desculpas.
A Câmara dos Deputados também pediu desculpas hoje aos moradores pela falta de legislação que regulamenta o uso das Forças Armadas em casos pontuais. A Casa instituiu uma comissão externa que vai apurar e acompanhar o caso no Rio.
Crime
David Wilson Florêncio da Silva, 24, Wellington Gonzaga Costa, 19, e Marcos Paulo da Silva, 17, haviam desaparecido no sábado (14), após serem abordados por militares em uma praça do morro da Providência e levados para um quartel do Exército. Os jovens foram encontrados mortos ontem no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias (na Baixada Fluminense).
Segundo a polícia, os rapazes foram entregues por militares para traficantes do morro da Mineira, controlado pela facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), rival do CV (Comando Vermelho), que controla o morro da Providência.
As investigações da polícia apontaram que os jovens sofreram agressões e foram assassinados pelos traficantes antes de serem despejados no aterro.
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