Síndico diz que irmão de Isabella negou presença de mais alguém no apartamento
PAULO TOLEDO PIZA
Colaboração para a Folha Online
O síndico do edifício London, Antonio Lucio Teixeira, disse à Justiça nesta quarta-feira que Pietro, um dos filhos de Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni, negou a presença de uma terceira pessoa no apartamento de onde Isabella foi arremessada. Segundo ele, a informação foi passada hoje por um morador do prédio, identificado apenas como Jéferson, que teria questionado a criança, de 3 anos, na noite do crime.
Teixeira disse que o condômino --não convocado para o depoimento-- perguntou à criança sobre o invasor e que ela apenas repetia: "não, não, não". Após a declaração, Anna Carolina teria dito a Alexandre querer que o filho seja ouvido.
À Justiça o síndico confirmou ainda as informações prestadas pelo porteiro do edifício, Valdomiro da Silva Veloso. O funcionário estava de serviço no prédio na noite em que Isabella morreu após ser jogada do sexto andar.
O síndico relatou que naquela noite, por volta das 23h35, ouviu gritos de uma criança dizendo: "Pára, pai! Para, pai". Cinco minutos depois, escutou um barulho seco, como "uma batida de porta de carro".
"O Valdomiro (o porteiro) me "interfonou' e pediu para eu ir até a sacada, pois uma menina tinha caído. Fui lá e vi, foi um choque terrível", contou Teixeira. O síndico disse que em seguida ligou para a polícia e que dois minutos depois viu Alexandre chegar, dizendo que um ladrão havia arrombado sua residência, cortado a tela de proteção e jogado a filha pela janela.
Ele acrescentou que, após cinco ou seis minutos, Anna Carolina também apareceu no térreo e foi em direção ao porteiro. "Ela falava palavrões muito pesados. Alexandre, transtornado, foi até a filha, abaixou, encostou o ouvido no peito dela e viu que ela estava viva", afirmou Teixeira. Segundo o síndico, o pai da menina quis mexer nela, mas ele o desaconselhou, alertando que poderia quebrar a coluna cervical.
Depois disso, o síndico disse que Alexandre pediu ao porteiro para subir e verificar se havia algum ladrão no prédio. O funcionário se recusou, pois o próprio Teixeira ordenou que ele não saísse de seu posto de trabalho. Valdomiro foi até a guarita e ligou para todos os moradores e pediu para que eles não saíssem de suas residências, avisando que tinha ladrão no prédio.
O pai de Isabella e a madrasta da menina são apontados pela Justiça como suspeitos da morte da garota. Ela morreu em 29 de março, após ser jogada do sexto andar do edifício onde morava seu pai.
Ao ser questionado pela defesa sobre a cor da roupa da vítima, Teixeira ficou emocionado e chorou. O juiz decidiu encerrar o depoimento.
Apartamentos vistoriados
Ao juiz, Teixeira contou também que pouco tempo depois de ser avisada, a polícia chegou ao local, com armas pesadas, e fizeram a varredura no prédio, inclusive entraram nos apartamentos vazios. Segundo ele, os PMs procuraram também nos porta-malas dos carros que estavam na garagem.
O síndico aproveitou o depoimento para retificar uma informação que, segundo ele, havia sido divulgada erroneamente por alguns veículos de comunicação, de que as cercas do prédio eram eletrificadas e que estariam desligadas no dia do crime. Ele informou ao juiz que, na verdade, o dispositivo funciona com um alarme, que alerta a portaria do prédio.
Depoimentos
O síndico é a quarta testemunha ouvida nesta quarta-feira pelo juiz Maurício Fossen, do Tribunal do Júri do Fórum de Santana. Antes dele prestaram depoimento a mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira, a avó materna, Rosa Maria Cunha de Oliveira, e o porteiro do prédio. O magistrado dispensou o depoimento do marido de Rosa Maria, José Arcanjo de Oliveira, alegando que ele diria a mesma coisa que a mulher. A Promotoria acatou a decisão.
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