Terminam depoimentos de testemunhas da acusação do caso Isabella
PAULO TOLEDO PIZA
Colaboração para a Folha Online
Os depoimentos das testemunhas de acusação do caso Isabella terminaram por volta das 22h40 desta quarta-feira. Nove das dez pessoas agendadas foram ouvidas pelo juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri do Fórum de Santana (zona norte de São Paulo). Uma testemunha, o avô da menina, José Arcanjo de Oliveira, foi dispensado porque sua mulher, Rosa Maria Cunha de Oliveira, prestou depoimento antes com as mesmas informações que seriam passadas por ele.
A última testemunha a depor não teve o acompanhamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá e nem mesmo dos assessores do TJ (Tribunal de Justiça). O conteúdo não foi revelado.
Uma das últimas a prestar depoimento foi Luciana Ferrari, moradora do quarto andar do prédio ao lado do edifício London, onde mora o casal Nardoni. Ela afirmou que ouvia choros constantes de criança vindos do prédio vizinho. Na noite do crime ela ouviu diversos palavrões vindos do edifício London. Em seguida escutou pessoas gritando "jogaram a Isabella". Pouco depois, de sua janela, Luciana viu uma mulher caminhando no térreo com uma criança no colo e dizendo palavrões em um celular.
Ela afirmou que a voz ouvida no apartamento vizinho e no térreo eram a mesma. "Era a mesma voz, o mesmo tom e os mesmos palavrões", disse a vizinha.
Ela e o marido, Waldir Rodrigues de Souza, ligaram para o resgate e em seguida foram ao prédio vizinho. No gramado do edifício London encontraram Isabella caída e pálida. Quando seu marido foi verificar a pulsação da menina o casal foi surpreendido por Alexandre, que dizia que havia "trombado" com o ladrão vestido com uma camiseta preta e armado. Enquanto isso Anna Carolina gritava palavrões e dizia que não queria morar naquele prédio.
Para Luciana, Alexandre não dava atenção à sua filha, apenas enfatizava a presença do ladrão no seu apartamento.
Uma hora antes do depoimento de Luciana, Geralda Afonso Fernandes, moradora de uma casa em frente ao prédio, também foi ouvida pela Justiça. Ela afirmou que na noite do crime foi acordada por gritos de criança. "Uma criança "valente' que gritava "papai, papai'".
Ela contou que se sentiu incomodada. Cinco minutos depois de ouvir os gritos, ouviu novamente dois gritos de "papai, papai", dessa vez abafados. Depois, ouviu uma mulher falando palavrões. Depois de ao menos 15 minutos ouviu várias pessoas pedindo para polícia e bombeiros serem chamados, pois havia um ladrão no local.
O marido de Luciana prestou depoimento logo depois dela. Ele repetiu todas as informações passadas pela mulher.
Na seqüência, o policial militar Robson Castro Santos foi ouvido pelo juiz. Ele da vistoria feita no prédio após o crime. A inspeção começou na garagem e depois foi para os apartamentos. Imóveis com moradores também fora vistoriados. Aqueles que estavam vazios e com chave na portaria também passaram pela vistoria.
Segundo o policial a operação envolveu 20 a 30 policiais. Ele entrou no apartamento dos Nardoni com mais sete policiais. Santos afirmou que viu pingos de sangue na sala e no quarto de onde Isabella foi jogada.
Também prestaram depoimento o síndico Antonio Lucio Teixeira, a mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira, a avó materna, Rosa Maria, e o porteiro do prédio.
Próximos depoimentos
O juiz marcou para dia 2 de julho os depoimentos das 16 testemunhas de defesa de Anna Carolina e para o dia 3 de julho as 16 testemunhas de Alexandre.
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