Cotidiano
19/06/2008 - 05h43

Jovens da Providência foram mortos com 46 tiros, diz IML

da Folha Online

Os jovens entregues por militares do Exército a traficantes do morro da Mineira (zona norte do Rio) foram torturados e mortos com 46 tiros, segundo laudo do IML (Instituto Médico Legal) divulgado por Sergio Torres. A reportagem foi publicada na Folha desta quinta-feira (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Wellington Gonzaga Ferreira, 19, foi morto com 26 disparos de fuzis e pistolas. David Wilson da Silva, 24, seu companheiro na volta de um baile funk, foi baleado 18 vezes. A terceira vítima, Marcos Paulo Campos, 17, levou dois tiros ao tentar fugir.

As 46 perfurações foram contabilizadas pelos médicos legistas do IML (Instituto Médico Legal) de Duque de Caxias (Baixada Fluminense). Eles examinaram os corpos dos três rapazes no fim de semana.

Eles haviam desaparecido no sábado (14), após serem abordados por militares em uma praça do morro da Providência e levados para um quartel do Exército. Os jovens foram encontrados mortos na manhã do domingo (15) no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias (na Baixada Fluminense).

Segundo a polícia, os rapazes foram entregues por militares para traficantes do morro da Mineira, controlado pela facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), rival do CV (Comando Vermelho), que controla o morro da Providência.

Leia a matéria completa na Folha desta quinta-feira, que já está nas bancas.

Retirada

O Ministério Público Militar pediu nesta quarta-feira à Justiça a prisão de 4 dos 11 militares detidos sob acusação de terem levado três jovens para traficantes. O pedido de prisão, segundo a Promotoria Militar, foi entregue no fim da tarde à Justiça Militar.

Caso a Justiça aceite a ação, os quatro militares ficarão presos por mais 30 dias. Pela decisão atual, da Justiça comum, eles ficarão presos até o próximo dia 25.

Na ação, o órgão pede a prisão do tenente Vinícius Ghidetti --apontado pela polícia como o mandante da entrega dos jovens aos traficantes--, o sargento Leandro Bueno e os soldados José Ricardo Rodrigues Araújo e Fabiano Eloi dos Santos. Os quatro e outros sete militares já estão presos no Batalhão de Polícia Militar, na Tijuca (zona norte), desde segunda-feira (16), quando a Justiça comum determinou a prisão deles.

A Justiça Federal determinou, ainda ontem, a retirada do Exército do morro da Providência. O pedido foi feito pela Defensoria Pública da União.

A juíza considera inconstitucional a presença do Exército no morro da Providência, afirma haver "inabilidade" e "despreparo" para a "garantia da lei e ordem no Estado do Rio de Janeiro" e pede o uso da Força Nacional de Segurança no lugar dos militares.

O presidente Lula classificou o episódio no morro como "abominável" e disse que o Estado tem de reparar as famílias dos rapazes. Nesta terça-feira (17), o presidente determinou que uma comissão da Secretaria Especial de Direitos Humanos investigue o caso.

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Comentários dos leitores
antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
Sr Joel Cajazeira...tal comentário mostra que o sr. faz questão de representar bem seu sobrenome, pelo menos pela série Bem Amado..das irmãs cajazeiras, que eram hilárias, tal qual seu comentário. Qual crime cometeu o representante do Exército? Todos que possamos imaginar. Desde uma detenção arbitrária, que fizeram. Julgar-se autoridade acima do bem e do mal,pois sentiram-se ofendidos e tinham que dar um castigo nos jovens. Julgamento sumário de que eram bandidos e tinham que ser entregues a algozes ( estes sim bandidos declarados ) para serem executados. Ou será que ele ( tenente ) achou que os carrascos iriam levar os jovens apenas para um passeio. Ligação suspeita dos militares com este bando ( que dizem ser de traficantes ), que parecem manter política da boa vizinhança entre si..... Portanto, motivos não faltam para que um juiz os condene demodo exemplar, para expurgar estas atitudes de nossa sociedade.E que a Aman possa se refazer da vergonha em que foi exposta, por preparar OFICIAIS com este pensamento do tenente que comandou esta operação. E quanto a ensinar táticas de guerra aos bandidos, pela amizade mantida. ele já deveria estar fazendo, pela tranqüilidade em que se moveram pelo morro. Lamentável seu comentário sr Joel. A JUSTIÇA não pode ver quem cometeu o crime, mas sim julgar corretamente quem o praticou. sem opinião
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richardson leao (18) 15/08/2008 06h56
richardson leao (18) 15/08/2008 06h56
Isso o exercito brasileiro faz bem... suportou e cometeu tortura no passado e suporta e comete tortura no presente... 1 opinião
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Dilson Aquino (16) 31/07/2008 18h26
Dilson Aquino (16) 31/07/2008 18h26
O nome-de-guerra do bandido é Rupinol, uma corruptela carioca da droga "Rohypnol", um sedativo hipnótico. sem opinião
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