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Cotidiano
19/06/2008 - 11h46

Exército aguarda notificação judicial para saída do morro da Providência, no Rio

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colaboração para a Folha Online, no Rio

O Exército permanece nesta quinta-feira no morro da Providência (centro do Rio) e só deverá sair do local após ser notificado oficialmente pela Justiça que deve se retirar do morro. No início da noite de quarta-feira (18) a juíza Regina Coeli Medeiros, da 18ª Vara Federal, determinou a saída da Força Armada do morro e indicou o uso de efetivo da Força Nacional de Segurança no local.

O Comando Militar do Leste informou que até as 11h30 desta quinta-feira a notificação não havia ocorrido. Segundo a Justiça, isso deverá ocorrer ainda hoje, mas não há previsão de horário.

Na segunda-feira (16), 11 militares foram presos sob suspeita de participação na morte de três rapazes do morro da Providência. Os militares confessaram, segundo a polícia, que entregaram os jovens a traficantes do morro da Mineira, controlado pela ADA (Amigos dos Amigos), facção rival do CV (Comando Vermelho), que domina a Providência. Os três foram mortos e seus corpos jogados em um aterro sanitário.

O clima no morro é de aparente tranqüilidade na manhã de hoje, apesar da permanência das tropas do Exército no local. Entretanto, ainda existem faixas colocadas por moradores pedindo saída dos militares.

Procurada na manhã de hoje, a Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública) informou não ter sido notificada a respeito da decisão da juíza do Rio, por isso não soube precisar se irá ou não enviar homens da Força Nacional de Segurança à Providência.

Investigações

O inquérito da 4ª Delegacia de Polícia do Rio (Central) sobre o caso deve ser finalizado ainda hoje. É aguardado para esta quinta-feira também a decisão da Justiça Militar a respeito do pedido formulado pelo Ministério Público Militar de prisão preventiva de 4 dos 11 militares apontados de envolvimento no caso.

O Ministério Público Militar pede a prisão do tenente Vinícius Ghidetti --apontado pela Polícia Civil como o mandante da entrega dos jovens aos traficantes--, o sargento Leandro Bueno e os soldados José Ricardo Rodrigues Araújo e Fabiano Eloi dos Santos. Eles fazem parte do grupo de 11 militares detidos desde segunda-feira (16), quando a Justiça comum determinou a prisão deles.

Reportagem publicada na edição desta quinta-feira da Folha aponta que os jovens foram mortos com 46 tiros.

Abominável

O presidente Lula classificou ontem o episódio no morro da Providência como "abominável" e disse que o Estado tem de reparar as famílias dos rapazes. O presidente determinou que uma comissão da Secretaria Especial de Direitos Humanos investigue o caso.

Na manhã de terça (17), o comandante do Exército, general Enzo Peri, e o chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste, general Mário Matheus de Paula Madureira, pediram desculpas às mães dos rapazes. No final da tarde, foi a vez do ministro Jobim se encontrar com as mães e apresentar seu pedido de desculpas.

A Câmara dos Deputados também pediu desculpas hoje aos moradores pela falta de legislação que regulamenta o uso das Forças Armadas em casos pontuais. A Casa instituiu uma comissão externa que vai apurar e acompanhar o caso no Rio.

Crime

David Wilson Florêncio da Silva, 24, Wellington Gonzaga Costa, 19, e Marcos Paulo da Silva, 17, haviam desaparecido no sábado (14), após serem abordados por militares em uma praça do morro da Providência e levados para um quartel do Exército. Os jovens foram encontrados mortos ontem no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias (na Baixada Fluminense).

Segundo a polícia, os rapazes foram entregues por militares para traficantes do morro da Mineira, controlado pela ADA, rival do CV. As investigações da polícia apontaram que os jovens sofreram agressões e foram assassinados pelos traficantes antes de serem despejados no aterro.

Comentários dos leitores
o que que nós contribuintes que trabalhamos 5 meses para pagar impostos mais um dia de contribuiçao sindical imposta, temos a ver com erros de policia,não basta o ziraldo e outros ganharem mais de 100 milhoes por serem perseguidos politicos,eu não lembro disto na epoca eles não saiam da praia de copacabana 2 opiniões
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antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
antonio kalil (1) 15/08/2008 09h35
Sr Joel Cajazeira...tal comentário mostra que o sr. faz questão de representar bem seu sobrenome, pelo menos pela série Bem Amado..das irmãs cajazeiras, que eram hilárias, tal qual seu comentário. Qual crime cometeu o representante do Exército? Todos que possamos imaginar. Desde uma detenção arbitrária, que fizeram. Julgar-se autoridade acima do bem e do mal,pois sentiram-se ofendidos e tinham que dar um castigo nos jovens. Julgamento sumário de que eram bandidos e tinham que ser entregues a algozes ( estes sim bandidos declarados ) para serem executados. Ou será que ele ( tenente ) achou que os carrascos iriam levar os jovens apenas para um passeio. Ligação suspeita dos militares com este bando ( que dizem ser de traficantes ), que parecem manter política da boa vizinhança entre si..... Portanto, motivos não faltam para que um juiz os condene demodo exemplar, para expurgar estas atitudes de nossa sociedade.E que a Aman possa se refazer da vergonha em que foi exposta, por preparar OFICIAIS com este pensamento do tenente que comandou esta operação. E quanto a ensinar táticas de guerra aos bandidos, pela amizade mantida. ele já deveria estar fazendo, pela tranqüilidade em que se moveram pelo morro. Lamentável seu comentário sr Joel. A JUSTIÇA não pode ver quem cometeu o crime, mas sim julgar corretamente quem o praticou. 7 opiniões
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richardson leao (28) 15/08/2008 06h56
richardson leao (28) 15/08/2008 06h56
Isso o exercito brasileiro faz bem... suportou e cometeu tortura no passado e suporta e comete tortura no presente... 4 opiniões
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