Exército aguarda notificação judicial para saída do morro da Providência, no Rio
colaboração para a Folha Online, no Rio
O Exército permanece nesta quinta-feira no morro da Providência (centro do Rio) e só deverá sair do local após ser notificado oficialmente pela Justiça que deve se retirar do morro. No início da noite de quarta-feira (18) a juíza Regina Coeli Medeiros, da 18ª Vara Federal, determinou a saída da Força Armada do morro e indicou o uso de efetivo da Força Nacional de Segurança no local.
O Comando Militar do Leste informou que até as 11h30 desta quinta-feira a notificação não havia ocorrido. Segundo a Justiça, isso deverá ocorrer ainda hoje, mas não há previsão de horário.
Na segunda-feira (16), 11 militares foram presos sob suspeita de participação na morte de três rapazes do morro da Providência. Os militares confessaram, segundo a polícia, que entregaram os jovens a traficantes do morro da Mineira, controlado pela ADA (Amigos dos Amigos), facção rival do CV (Comando Vermelho), que domina a Providência. Os três foram mortos e seus corpos jogados em um aterro sanitário.
O clima no morro é de aparente tranqüilidade na manhã de hoje, apesar da permanência das tropas do Exército no local. Entretanto, ainda existem faixas colocadas por moradores pedindo saída dos militares.
Procurada na manhã de hoje, a Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública) informou não ter sido notificada a respeito da decisão da juíza do Rio, por isso não soube precisar se irá ou não enviar homens da Força Nacional de Segurança à Providência.
Investigações
O inquérito da 4ª Delegacia de Polícia do Rio (Central) sobre o caso deve ser finalizado ainda hoje. É aguardado para esta quinta-feira também a decisão da Justiça Militar a respeito do pedido formulado pelo Ministério Público Militar de prisão preventiva de 4 dos 11 militares apontados de envolvimento no caso.
O Ministério Público Militar pede a prisão do tenente Vinícius Ghidetti --apontado pela Polícia Civil como o mandante da entrega dos jovens aos traficantes--, o sargento Leandro Bueno e os soldados José Ricardo Rodrigues Araújo e Fabiano Eloi dos Santos. Eles fazem parte do grupo de 11 militares detidos desde segunda-feira (16), quando a Justiça comum determinou a prisão deles.
Reportagem publicada na edição desta quinta-feira da Folha aponta que os jovens foram mortos com 46 tiros.
Abominável
O presidente Lula classificou ontem o episódio no morro da Providência como "abominável" e disse que o Estado tem de reparar as famílias dos rapazes. O presidente determinou que uma comissão da Secretaria Especial de Direitos Humanos investigue o caso.
Na manhã de terça (17), o comandante do Exército, general Enzo Peri, e o chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste, general Mário Matheus de Paula Madureira, pediram desculpas às mães dos rapazes. No final da tarde, foi a vez do ministro Jobim se encontrar com as mães e apresentar seu pedido de desculpas.
A Câmara dos Deputados também pediu desculpas hoje aos moradores pela falta de legislação que regulamenta o uso das Forças Armadas em casos pontuais. A Casa instituiu uma comissão externa que vai apurar e acompanhar o caso no Rio.
Crime
David Wilson Florêncio da Silva, 24, Wellington Gonzaga Costa, 19, e Marcos Paulo da Silva, 17, haviam desaparecido no sábado (14), após serem abordados por militares em uma praça do morro da Providência e levados para um quartel do Exército. Os jovens foram encontrados mortos ontem no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias (na Baixada Fluminense).
Segundo a polícia, os rapazes foram entregues por militares para traficantes do morro da Mineira, controlado pela ADA, rival do CV. As investigações da polícia apontaram que os jovens sofreram agressões e foram assassinados pelos traficantes antes de serem despejados no aterro.
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