Justiça estuda ampliação da Força Nacional de Segurança no Rio
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O Ministério da Justiça informou nesta quinta-feira que estuda ampliar o contingente de homens da Força Nacional de Segurança no Rio após o episódio envolvendo militares do Exército na morte de três jovens no morro da Providência (centro do Rio).
O Exército ainda permanece no morro da Providência e só deverá sair do local após ser notificado oficialmente pela Justiça para que desocupe o morro. No início da noite de quarta-feira (18) a juíza Regina Coeli Medeiros, da 18ª Vara Federal, determinou a saída da Força Armada do local e indicou o uso de efetivo da Força Nacional de Segurança.
Na segunda-feira (16), 11 militares foram presos sob suspeita de participação na morte de três rapazes do morro da Providência. Os militares confessaram, segundo a polícia, que entregaram os jovens a traficantes do morro da Mineira, controlado pela ADA (Amigos dos Amigos), facção rival do CV (Comando Vermelho), que domina a Providência. Os três foram mortos e seus corpos jogados em um aterro sanitário.
Reforço
O secretário-executivo do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), Ronaldo Teixeira, disse hoje que o governo deve definir na sexta-feira (20) se deslocará as tropas para o morro onde ocorreu o incidente com os militares, como sugerido pela Justiça do Rio, em substituição ao Exército.
"Foi para estes casos que a Força Nacional foi criada. Temos homens preparados, vai depender do pedido formal do governo do Estado", afirmou.
Segundo Teixeira, atualmente 500 homens da Força Nacional de Segurança estão no Rio de Janeiro para reforçar a segurança no Estado. Os policiais foram deslocados para a região durante os jogos Pan-Americanos, no ano passado, mas permaneceram no Rio.
O secretário disse que a Força Nacional tem, atualmente, cerca de 7.000 homens prontos para serem enviados para o reforço da segurança --se isso for solicitado formalmente pelo governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ). O Ministério da Justiça aguarda uma notificação da Justiça fluminense para avaliar o emprego da Força junto à Secretaria de Segurança Pública do Estado.
Teixeira disse que qualquer decisão do governo sobre o envio da Força deverá cumprir o que for determinado pela Justiça do Rio. A decisão sobre o envio de homens da Força Nacional de Segurança deve ser tomada nesta sexta-feira pelo Comitê Gestor de Segurança, integrado por membros da Casa Civil do Rio de Janeiro, da Secretaria Nacional de Segurança Pública e da Secretaria de Segurança do Rio.
A idéia do governo, segundo Teixeira, é enviar os policiais para áreas "críticas" do Estado. "Dentro do programa nacional de segurança pública do governo, tínhamos a previsão de investir nas favelas da Maré, Rocinha e Complexo do Alemão, mas diante das novas circunstâncias, podemos expandir o trabalho para outras favelas", adiantou.
Crime
David Wilson Florêncio da Silva, 24, Wellington Gonzaga Costa, 19, e Marcos Paulo da Silva, 17, haviam desaparecido no sábado (14), após serem abordados por militares em uma praça do morro da Providência e levados para um quartel do Exército. Os jovens foram encontrados mortos ontem no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias (na Baixada Fluminense).
As investigações da polícia apontaram que os jovens sofreram agressões e foram assassinados pelos traficantes antes de serem despejados no aterro.
Reportagem publicada na edição desta quinta-feira da Folha aponta que os jovens foram mortos com 46 tiros.
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