Polícia deve indiciar 4 militares pela morte de jovens em morro do Rio
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
O inquérito formulado pelos agentes da 4ª DP do Rio (Central) deve apontar como responsáveis pela morte dos três jovens no morro da Providência (centro do Rio) quatro dos 11 militares do Exército detidos acusados de participação no crime, segundo apurou a reportagem da Folha Online.
Os 11 militares foram presos na segunda-feira. Segundo a polícia eles confessaram que entregaram os jovens a traficantes do morro da Mineira, controlado pela ADA (Amigos dos Amigos), facção rival do CV (Comando Vermelho), que domina a Providência. Os três foram mortos e seus corpos jogados em um aterro sanitário.
A Polícia Civil já entregou o inquérito ao Ministério Público. Paralelo ao encerramento da investigação sobre a participação dos homens da Força Armada, outro inquérito já foi iniciado. Ela tem como objetivo saber quais foram os traficantes responsáveis pela morte dos jovens no morro da Mineira. Inspetores já detêm nomes de criminosos que podem ter sido os responsáveis pela violência que resultou na morte dos jovens.
Devem ser indiciados pela Polícia Civil por homicídio triplamente qualificado --por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima-- o tenente Vinícius Ghidetti (apontado pela Polícia Civil como o mentor do crime), o sargento Leandro Bueno e os soldados José Ricardo Rodrigues Araújo e Fabiano Eloi dos Santos. Tratam-se dos mesmos nomes que o Ministério Público Militar indicou à Justiça Militar como os autores do crime.
O inquérito da Polícia Civil a respeito da participação dos militares tem cerca de cem páginas. Foram ouvidas 20 pessoas. Além dos 11 homens do Exército, outros militares e também moradores prestaram esclarecimentos a respeito do caso.
Agentes também foram até a casa de Ghidetti para cumprir um mandado de busca e apreensão. Documentos foram apreendidos mas ainda não é possível afirmar se o tenente possui ligação efetiva com os traficantes do morro da Mineira. O que se sabe por ora é que Rodrigues mora no mesmo complexo da Mineira.
Coação
Agentes da Polícia Civil que participam da investigação do caso revelaram que o tenente está coagindo os outros militares detidos no 1º Batalhão da Polícia do Exército para que não prestem declarações para que o caso seja solucionado pela Polícia Civil.
O inquérito enviado ao Ministério Público indica ainda que os demais militares não foram indiciados pois eles não tiveram participação efetiva no caso e foram obrigados pelo tenente a cumprir as ordens.
Os celulares dos 11 militares foram apreendidos pelo Exército. Neles será possível averiguar se algum dos suspeitos têm ligação com traficantes.
Crime
David Wilson Florêncio da Silva, 24, Wellington Gonzaga Costa, 19, e Marcos Paulo da Silva, 17, haviam desaparecido no sábado (14), após serem abordados por militares em uma praça do morro da Providência e levados para um quartel do Exército. Os jovens foram encontrados mortos ontem no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias (na Baixada Fluminense).
As investigações da polícia apontaram que os jovens sofreram agressões e foram assassinados pelos traficantes antes de serem despejados no aterro.
Reportagem publicada na edição desta quinta-feira da Folha aponta que os jovens foram mortos com 46 tiros.
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